De CEO para CEO:
Por que há poucas mulheres na liderança?

Na mesa redonda promovida pela Executiva e pela L’Oréal trocaram-se ideias sobre este tema. E se, afinal, são as mulheres que não querem assumir posições de topo? E se os homens ficam até mais tarde para chegar a casa só depois da hora do banho das crianças?... Veja o vídeo.

A segunda pergunta lançada para o debate nos Encontros Executiva / L’ Oréal é recorrente mas nem por isso consegue respostas totalmente convincentes e apaziguadoras. Por que razão ainda há tão poucas mulheres a ocupar cargos de liderança?

O painel de CEO – Inês Caldeira (L’Oréal), Teresa Cardoso de Menezes (Informa D&B), Sofia Tenreiro (Cisco), e Ana Claúdia Ruiz (da Diageo) – debateu este tema tão injusto, para muitas, e muitas vezes desmoralizante.

As diretoras da Executiva lançaram a pergunta e a troca de ideias e de experiências mostrou o conhecimento que estas executivas retiram do seu dia a dia em cargos de decisão. Veja as principais ideias apontadas e os pós e contras de chegar longe.

Inês Caldeira – “As mulheres auto-excluem-se e têm um sentido de exigência grande. Se uma mulher tiver apenas alguns requisitos para o exercício de uma função, não se candidata. Os homens avançam sempre e estão tão ou menos preparados que nós.

Já encontrei colegas no escritório às oito da noite para fugirem à hora do banho das crianças.

E ainda há muitas atividades que decorrem ao fim de semana, fora de horas, à hora do jantar, o que faz com que haja, de facto, um desvio em relação à vida familiar.

Já me aconteceu encontrar colegas por volta das oito da noite na empresa e quando lhes pergunto por que estão ainda no escritório respondem: ‘Só vamos depois da hora do banho’”.

Teresa Menezes – “As mulheres avançam menos, de facto. E têm de ser chamadas a avançar. Os homens oferecem-se mais e basta ver as brincadeiras dos rapazes enquanto crianças. Metem-se em lutas, brigam, rapidamente avançam.

Mas acho que esta atitude das mulheres não vai mudar naturalmente. Tem de ser uma decisão da própria gestão, dos próprios acionistas, porque a mudança é absolutamente necessária.

É muito melhor estarmos numa mesa metade-metade, porque as perspetivas e as sensibilidades são diferentes”.

Muitas amigas não querem estar onde eu estou. Mas sou super feliz por fazer aquilo que faço.

Sofia Tenreiro – “Creio que não existe um 50-50 por três razões: porque ainda não há tantas mulheres a chegar a cargos de decisão (na área tecnológica, a que pertenço, há um déficite enorme), não há muitas carreiras transversais, não há o hábito de ir buscar mulheres a outras empresas, e porque, e este é um aspeto importante, há muitas mulheres que não querem estar em cargos de direção. A maior parte das minhas amigas não quer estar onde eu estou. Apesar de eu ser super feliz por fazer aquilo que faço.

Ainda há muitos estereótipos em relação às mulheres: faltam um pouco mais, estão mais ausentes, durante o dia pensam noutras coisas também. E isso não dá as mesmas oportunidades”.

Ana Claúdia Ruiz – “Na minha indústria (bebidas alcoólicas) tenho sempre muitos eventos, jantares, fins-de-semana, e muitas vezes tenho de declinar porque tenho a minha vida familiar. Mas vejo que os pais da minha empresa não sentem essa necessidade.

Nós, mulheres, não nos podemos excluir assim. Estamos num jogo e não devemos sair dele antes de chegar lá”.

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