O custo do dinheiro parado

Costuma guardar o seu dinheiro em casa, debaixo do colchão? Deixa-o bem quietinho na sua conta à ordem? Se sim, saiba que está a optar por um caminho que pode trazer consequências negativas para a sua carteira: o do “dinheiro parado”.

Guardar o dinheiro em casa não faz crescer as suas poupanças, pelo contrário.

Primeiro ponto a esclarecer: poupar é prejudicial? Não, claro que não. Mas é importante ter em conta que dinheiro parado é o oposto de rentabilização. E se, com a intenção de poupar, se limitar a depositar os seus rendimentos numa conta à ordem – onde não há movimentação e não são acumulados juros – não está efetivamente a poupar, uma vez que a inflação continua a crescer e, em consequência, o seu dinheiro perde valor.

Ou seja, dinheiro parado pode ser encarado, pelo menos em parte, como dinheiro perdido. E a única forma de o evitar é através do investimento.

Afinal, o que é dinheiro parado?

Dinheiro parado é o nome que se costuma dar a todo o dinheiro que não é investido e que, por isso, não acumula juros ou gera retornos. Quando a inflação sobe este dinheiro perde valor porque não cresce ao mesmo ritmo da generalidade dos preços.

Imagine, por exemplo, que se disciplina a colocar de lado, todos os meses durante um ano, 150 euros com o objetivo de fazer uma compra no valor de 1800 euros. Se a inflação nesse ano for de 5%, prepare-se para poupar mais tempo do que o previsto, porque no final do prazo terá os tais 1800 euros mas entretanto a sua compra já custará 1890 euros. Isto porque 5% de 1800 euros são 90 euros, valor que acumula com o original. Ou seja, o seu dinheiro perdeu efetivamente poder de compra.

Isto para não falar no hábito que ainda persiste de se guardar o dinheiro em casa, que traz consigo desvantagens adicionais, nomeadamente a vulnerabilidade perante imprevistos como assaltos, inundações, tempestades ou incêndios.

Como é que a inflação atua?

A inflação corresponde ao aumento generalizado dos preços de bens de consumo, representando por isso a desvalorização do dinheiro. A taxa de inflação depende da relação entre o dinheiro que se encontra em circulação e a procura de bens e serviços por parte dos consumidores. No caso concreto de Portugal, por exemplo, e de acordo com a Eurostat, a taxa de inflação foi de 1,2% em 2018. Na prática, isto significa que um determinado bem que custava 100 euros em 2017 passou a custar mais 1,2 euros em 2018. A inflação atua, por isso, como “assassina silenciosa”, retirando-lhe poder de compra mesmo sem lhe retirar efetivamente o dinheiro.

Como combater a inflação

A principal estratégia para se proteger dos efeitos nocivos da inflação chama-se investimento. Isto depreende utilizar o seu dinheiro na aquisição de ativos financeiros como, por exemplo, ações, obrigações ou fundos.

Se a opção por estes ativos for capaz de gerar rentabilidade a um nível superior ao da taxa de inflação, estará de facto a evitar os efeitos desta sobre o seu dinheiro que, de outro modo, estaria parado. E se lhe parece uma estratégia demasiado complicada, lembre-se que pode sempre recorrer à ajuda de um consultor financeiro, que a ajudará a tomar decisões informadas e a traçar o melhor plano possível para o combate à inflação.