Cuidados capilares de inspiração hindu made in Portugal

Licenciada em Gestão de Empresas, Homni Bhanji trabalhou no setor financeiro até ingressar num negócio familiar com o marido. Depressa decidiram reformular a oferta comercial e dedicarem-se a uma loja maior, especializada na cosmética profissional. Essa foi a génese da Avani, que radica nos rituais de beleza milenares da Índia, onde os cabelos são considerados símbolos da beleza e do poder feminino.

Homni Bhanji é fundadora da Avani.

Licenciada em Gestão de Empresas, Homni Bhanji trabalhou no setor financeiro até ingressar num negócio familiar com o marido. Depressa decidiram reformular a oferta comercial e dedicarem-se a uma loja maior, especializada na cosmética profissional.  Essa foi a génese da Avani, que radica nos rituais de beleza milenares da Índia, onde os cabelos são considerados símbolos da beleza e do poder feminino. “A marca Avani nasceu para trazer inovação para o setor da cosmética. O foco da marca foi, desde o início, ter produtos com fórmulas muito ricas e diferenciadoras que pudessem trazer alguma inovação aos produtos que já existiam no mercado”, explica Homni Bhanji, fundadora e CEO. Hoje, a empreendedora sonha com a possibilidade de internacionalizar a marca: “podermos levar o nosso conceito e os nossos produtos para outros países e, com isso, ajudar mais a nossa causa de escolarizar crianças, porque é essa é a minha grande motivação de vida. Por outro lado, quero contribuir ainda mais para o país onde nasci e sempre vivi, que é Portugal. Nunca abdiquei dos produtos Avani serem fabricados em Portugal para valorizar a produção nacional e porque reconheço a sua excelente qualidade.”

 

Como foi o seu percurso até chegar à criação da marca Avani?

Fiz a minha formação em Gestão de Empresas e comecei a carreira profissional na área de contabilidade. Trabalhei também no setor financeiro, antes de trabalhar num negócio familiar com o meu marido, Dipeshe Bhanji. Quando tinha 23 anos, na altura em que trabalhava na área financeira, foi-nos solicitado por familiares ajudar a dinamizar um negócio de venda de produtos diversos. Durante este período, fomos fazendo mudanças e ajustamentos em termos de oferta comercial, até que decidimos focar o negócio apenas em produtos de cosmética profissional. Sempre tive interesse por este tipo de produtos, o que me levou a colocar mais empenho para desenvolver esta área dentro do negócio.

 

10% de todas as vendas brutas da Avani revertem a favor do seu projeto de escolarização de meninas na Índia através da instituição Sandipani Vidyaniketan. Isto representa um esforço muito grande para a empresa do qual não abdico. Para além disso, participo num grupo de trabalho empenhado na divulgação desta causa, em regime de voluntariado.

 

Como surgiu a ideia da Avani? 

Na filosofia hindu os cabelos da mulher são vistos como um símbolo de beleza e poder feminino. Existem muitos rituais de beleza muito ricos que sempre estudei e apliquei na minha rotina pessoal — esta foi a semente que esteve na origem da criação da marca Avani. O início da história da Avani começou quando decidimos abrir uma loja maior, só com o foco da cosmética profissional, mas nesta altura, ainda comercializando várias marcas. Esse negócio teve bastante sucesso devido ao aconselhamento aos clientes que estava muito focado nas capacidades dos produtos e também em muitas das técnicas de procedimentos capilares que aprendi com a filosofia hindu.

O negócio cresceu muito devido ao aconselhamento e suporte que dávamos ao cliente, mas ainda assim, sentia que os produtos que comercializávamos não tinham todas as características que eu achava essenciais para podermos oferecer procedimentos capilares completos. Este sempre foi o meu foco, fazer uma diferença positiva na vida das pessoas e não apenas comercializar produtos. A marca Avani nasceu para trazer inovação para o setor da cosmética. O foco da marca foi, desde o início, ter produtos com fórmulas muito ricas e diferenciadoras que pudessem trazer alguma inovação aos produtos que já existiam no mercado.

Este período foi de grande aprendizagem para mim não apenas a nível profissional, mas também a nível pessoal, porque foi um despertar para um mundo mais focado no aspeto humano — senti a necessidade de me focar mais no meu crescimento espiritual. Foi nesta altura que conheci pessoalmente o meu mestre espiritual Gurudev Pujya Bhaishri Rameshbhai Oza na Índia, com o qual ainda mantenho um contacto muito próximo, passados 20 anos, com viagens regulares à Índia. Continuamos a ter uma ligação muito forte, e neste momento dou a minha pequena contribuição para o seu grande projeto na Índia: 10% de todas as vendas brutas da Avani revertem a favor do seu projeto de escolarização de meninas na Índia através da instituição Sandipani Vidyaniketan. Para além disso, participo num grupo de trabalho empenhado na divulgação desta causa, em regime de voluntariado.

Desde o momento em que conheci o Gurudev pessoalmente, tenho viajado regularmente à Índia para ouvir as suas palestras que continuam a ser uma fonte de inspiração inesgotável para mim. Aproveitei também, nessas idas à Índia, para aprofundar mais os conhecimentos em cosmética e nos ingredientes únicos que esta cultura nos traz. Realizei vários estudos e pesquisas em instituições indianas que querem manter essas tradições vivas, através dos ensinamentos dos rituais descritos nas escrituras antigas.

Esta altura da minha vida foi muito enriquecedora e deu-me muita força e coragem para criar algo único e inovador, que foi a marca Avani. Naturalmente este caminho levou-me a ter esta vida de empreendedora que não estava prevista inicialmente, mas acaba por fazer todo o sentido. Assim consigo materializar as minhas ideias e sinto que isso tem um impacto positivo na vida das pessoas.

 

Como evoluiu o negócio? 

Desde a sua criação, a Avani tem tido um desenvolvimento gradual. A nossa filosofia foi sempre crescer de uma forma sustentável, alinhando os investimentos com o crescimento natural do negócio. Isso fez com que não fosse necessário realizar investimentos muito avultados num curto período de tempo que nos pudessem colocar em situações mais desconfortáveis. Esta filosofia que aplicámos no negócio representa, no fundo, a nossa filosofia de vida que vem dos ensinamentos de Gurudev. Estes ensinamentos estão focados em três pontos principais: primeiro, não viver baseado em débito; segundo, não ir pelo caminho mais fácil de conseguir realizar benefícios financeiros rapidamente e sem esforço; terceiro, retribuir sempre uma parte do que recebemos.

Desta forma, optámos por ir crescendo de acordo com as necessidades que identifico em cada momento, para estar alinhado com o nível de exigência que sempre pretendi.

 

Outro dos grandes desafios são as fórmulas dos produtos porque são completamente inovadoras — têm ingredientes únicos. Em muitos casos vêm dos ensinamentos hindus e da própria Índia, por isso, necessitam de mais desenvolvimentos e estudos, mesmo para os técnicos mais experientes. O processo de criação destes produtos não é simples porque tentamos sempre privilegiar fórmulas ricas com muitos ingredientes, principalmente ligados aos segredos milenares indianos e medicina Ayurveda.

 

Quais os principais desafios que teve de enfrentar?

O maior desafio foi encontrar as pessoas certas, que nos pudessem ajudar a alcançar estes objetivos. O nível de exigência é muito elevado em todas as áreas: decoração, design, fórmulas dos produtos, procedimentos internos, organização financeira, entre outros, o que levou à necessidade de algumas reestruturações ao nível do pessoal na empresa. Atualmente, vejo de forma clara que sem estas mudanças não seria possível a Avani conseguir crescer da forma que o está a fazer, e com o pleno reconhecimento do mercado.

Outro dos grandes desafios são as fórmulas dos produtos porque são completamente inovadoras — têm ingredientes únicos. Em muitos casos vêm dos ensinamentos hindus e da própria Índia, por isso, necessitam de mais desenvolvimentos e estudos, mesmo para os técnicos mais experientes. O processo de criação destes produtos não é simples porque tentamos sempre privilegiar fórmulas ricas com muitos ingredientes, principalmente ligados aos segredos milenares indianos e medicina Ayurveda. Quando estamos a adicionar esses elementos a uma fórmula regular, isso atribui-lhe características únicas, e como tal requer muito estudo.

Foi necessário muita insistência e persistência da nossa parte para conseguir incutir estas ideias nos técnicos que nos acompanham desde o início da Avani. Esta foi uma área em que consideramos que tivemos muita sorte porque estes profissionais têm estado sempre abertos a desenvolver produtos novos e são incansáveis em testar e aperfeiçoar as fórmulas. O nosso processo de avaliação envolve várias áreas como eficácia, experiência, aroma, inovação e vai até ao equilíbrio dos chakras para promover a harmonia interior. Os testes são realizados de forma exaustiva quer no laboratório quer no nosso instituto antes de serem colocados no mercado.

 

Como conquistou os clientes?

Tendo o processo de transição da empresa de vendas de produtos de cosmética diversos para o Instituto Avani sido gradual, existiu uma migração de clientes que nos vêm acompanhando há bastante tempo. Notámos também que começámos a receber clientes com um perfil mais exigente, pessoas muito informadas que procuram reunir toda a informação antes de realizar um tratamento ou adquirir um produto. Pessoalmente, gosto muito deste tipo de clientes porque valorizam mais o que temos para oferecer, e por outro lado obrigam-nos a ser cada vez melhores.

No momento temos uma equipa pequena, mas muito sénior, que nos permite inovar e comunicar a marca de uma forma muito efetiva. Uma equipa com estas características traz-nos um fator que consideramos determinante no nosso desenvolvimento — a agilidade. Toda esta nossa forma de estar (em que valorizamos a flexibilidade) permite-nos ser bastante ágeis em todas as fases dos processos e conseguir rapidamente colocar no mercado as nossas ideias.

Tendo a Avani esta filosofia relativamente à forma como idealiza uma estrutura empresarial, é fundamental que todos os colaboradores compreendam muito bem todos os conceitos que estão associados à marca e consigam materializá-los através da sua experiência comprovada como profissionais de cada área. O resultado de todo este nosso esforço e da nossa filosofia está à vista. Nos últimos anos temos recebido vários prémios em gamas e produtos distintos, desde Top Beleza a Top Inovação. Todos os nossos produtos têm avaliações excelentes no nosso site e temos um feedback muito bom dos clientes que frequentam o nosso instituto relativamente ao resultado da aplicação dos nossos produtos e tratamentos. Este é um resultado prático e mensurável, e dá-nos muito alento para continuarmos neste caminho. Este percurso deixa-me muito feliz porque consegui preencher todas as áreas de interesse na minha vida, não apenas a área profissional, mas também todas as outras áreas relacionadas com o fator humano e acima de tudo a gratidão.

 

Um empreendedor é quem tem a coragem de seguir um caminho diferente.

 

Quais os traços de personalidade que considera necessários para ser empreendedor? E quais as competências? 

Na minha opinião, todas as pessoas têm uma força interior que as permite ser empreendedoras — está relacionado com a força do nosso subconsciente. Acredito que quando tomamos uma decisão conscientemente e com muita determinação o nosso subconsciente activa-se e trabalha arduamente em função dessa decisão. Adorei uma explicação sobre este tema do Gurudev que oiço frequentemente em palestras, que é a minha grande inspiração — o exemplo do Aladino e do génio. O Aladino refere-se à consciência que quer realizar um determinado desejo; o génio, que representa o subconsciente, tem um poder incomensurável e tudo fará para o realizar. A decisão tem que ser materializada com a consciência acesa e com muita determinação, porque só assim o subconsciente começa a trabalhar para que isso aconteça.

Considero também que para uma ideia ser bem sucedida é importante a ética, a generosidade, contribuir para o universo e não pensar de uma forma egoísta — tudo o que retribuímos é-nos retribuído também. Acredito que a intenção que está por detrás do que estamos a fazer tem um papel muito importante no resultado. Na minha opinião, para além destes traços de personalidade penso que também é muito importante o foco, a persistência e a coragem. Se formos guiados por estes três fatores, vamo-nos ajustando às dificuldades e ultrapassando-as. Caso contrário, poderíamos mais facilmente desistir perante os primeiros obstáculos. Pela minha experiência, as competências de um empreendedor vão-se adquirindo naturalmente durante o processo de crescimento.

Construir é um processo e durante esse caminho nós vamo-nos adaptando às situações, aprendendo com elas, e reunindo os recursos necessários para conseguir alcançar os nossos objetivos — o principal é a coragem para dar o primeiro passo. Na minha ótica, ser empreendedor significa ter a coragem de pôr em prática as nossas ideias, trazer algo de novo e que, acima de tudo, possa fazer uma diferença na vida das pessoas. O fator de inovação é fundamental naquilo que considero ser o empreendedorismo, porque na minha visão um empreendedor é quem tem a coragem de seguir um caminho diferente.

 

Sempre sonhou em trabalhar nesta área?

Não sonhei em trabalhar nesta área. Foi um processo que foi acontecendo. No entanto, sempre me atualizei na área de beleza do setor de luxo e profissional, porque tinha um gosto especial por esta área, era muito vaidosa, e fui moldando as oportunidades nesta direção.

Neste momento, posso dizer que adoro o que estamos a construir. Este projeto preenche todas as áreas da minha vida de uma forma muito positiva. Criamos produtos que eu própria idealizei para mim e partilhamos com o mercado. Por outro lado, ajuda-me a materializar a minha verdadeira missão de vida que é ajudar o próximo. Fazemos a doação de 10% de todas as nossas vendas brutas para a Instituição Sandipani Vidyaniketan que tem como principal missão oferecer educação de qualidade a meninas na Índia. Isto representa um esforço muito grande para a empresa, do qual não abdico.

 

Nunca abdiquei dos produtos Avani serem fabricados em Portugal para valorizar a produção nacional e porque reconheço a sua excelente qualidade. Com o nosso objetivo de levar a marca para outros países pretendo que esta qualidade seja reconhecida internacionalmente.

 

Que aprendizagens fez enquanto empresária e que erros não voltaria a cometer?

Estou sempre a aprender e encaro os erros como um fator natural no processo de aprendizagem e não necessariamente como algo destrutivo. Contudo, aprendi que é essencial ponderar e agir de uma forma mais racional em decisões que são importantes para o negócio. É muito importante trabalharmos com as pessoas certas e aprendi que a base de um relacionamento profissional assenta em relações humanas construtivas, em que a ética assume um papel determinante, na minha perspetiva, até acima das capacidades técnicas. É fundamental uma análise profunda e permanente do nível de entrega dos nossos colaboradores e parceiros ao nosso projeto. Atualmente prefiro deixar um cargo vazio temporariamente do que preenchê-lo com alguém que não tenha os valores éticos alinhados com os da empresa ou que não compreenda a nossa missão, ainda que seja um profissional capaz.

Considero que os maiores erros que cometi estão relacionados com ligações emocionais que crio naturalmente com as pessoas, devido às minhas próprias características humanas, que em muitos casos entra em conflito com os interesses da empresa. Tem sido uma grande aprendizagem para mim separar estes dois lados, o pessoal e o profissional, e tentar tomar as decisões de uma forma mais objetiva.

Hoje em dia, quando sinto uma atitude injusta por parte de um parceiro ou colaborador tomo uma posição firme tendo em conta o que eu considero ser o mais correto para a relação profissional, dentro do acordo pré-estabelecido porque sinto que não posso deixar algo que considero injusto acontecer apenas para evitar confrontos pessoais, que é algo que admito que me desgasta um pouco – é importante ser firme nestas situações.

 

Quais os sonhos para o futuro?

Conseguir fazer com que a marca cresça ainda mais, que tenha a possibilidade de se internacionalizar para podermos levar o nosso conceito e os nossos produtos para outros países e, com isso, ajudar mais a nossa causa de escolarizar crianças, porque é essa é a minha grande motivação de vida. Por outro lado, quero contribuir ainda mais para o país onde nasci e sempre vivi, que é Portugal. Nunca abdiquei dos produtos Avani serem fabricados em Portugal para valorizar a produção nacional e porque reconheço a sua excelente qualidade. Com o nosso objetivo de levar a marca para outros países pretendo que esta qualidade seja reconhecida internacionalmente. Neste momento estamos a dar os primeiros passos nesse sentido e espero que em breve possamos reunir todas as condições necessárias para crescer de uma forma sustentável, com o suporte que é necessário para prestar um serviço de qualidade. Atualmente já somos contactados por parceiros de outros países muito interessados em trabalhar com a marca Avani e estamos a desenvolver esforços para operacionalizar estas parcerias.

 

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