A que deve estar atenta ao aplicar o seu dinheiro

Existem várias regras fundamentais que se aplicam em qualquer tipo de investimento e que ajudam a tomar decisões de bom senso.

É essencial que o investidor compreenda aquilo em que investe. Esta parece uma premissa simples, mas é muitas vezes ignorada. No caso dos aforradores que não dispõem do tempo ou conhecimento técnico necessário, isto significa que devem assegurar-se de que aqueles que os aconselham conseguem explicar de forma razoável, clara e objetiva os méritos e riscos das opções de investimento que propõem.

Para um investidor, ter a humildade de se abster de um determinado investimento por reconhecer que não o compreende, é um traço não só desejável, mas essencial para o sucesso.

Isto leva-nos à seguinte regra: distinguir especulação de investimento. Os  especuladores compram algo com a expetativa de que alguém lhes venha a oferecer um preço mais elevado no futuro. A principal preocupação de um investidor deve ser não perder dinheiro e assegurar-se de que está a comprar um ativo que vale mais do que o preço que está a pagar por ele no momento da compra. Para além disso, investir significa comprar um ativo com a convicção de que este tem a capacidade de gerar dinheiro de forma a aumentar o seu valor intrínseco no futuro. Mantendo esta máxima como linha orientadora, minimiza-se a probabilidade de se ser apanhado pelos típicos movimentos de medo e ganância.

Finalmente, o investidor deve conhecer bem o seu horizonte de investimento, isto é, estimar de forma conservadora quando poderá vir a necessitar de utilizar o capital de que está a prescindir no presente. Desta forma, evita que uma momentânea necessidade de liquidez deite por terra investimentos bem pensados, orientados para preservar e rentabilizar as poupanças a longo-prazo.

Este artigo foi escrito em 1o de julho de 2017

Qual é o melhor produto para investir as poupanças?

Não existe apenas um melhor produto. Depende muito do investidor, do tempo em que pode ter o dinheiro investido – horizonte de investimento –  dos níveis a que se encontram as taxas de juro e a consequente remuneração de investimentos em produtos de taxa fixa (depósitos a prazo, obrigações); dos preços a que cotam as ações que queremos comprar e do temperamento do investidor para suportar a volatilidade diária dos mercados financeiros.

Regra geral, se o investidor tiver horizonte de investimento de 3 a 5 anos e se estiver preparado para assistir a maiores variações da sua carteira de investimentos, a melhor opção são as ações. Elroy Dimson, professor da London Business School, comprova-o no seu livro O Triunfo dos Optimistas, onde compara os rendimentos de todas as classes de ativos ao longo de mais de 100 anos e conclui que as ações se destacam por larga margem.

Hoje, depois das correções dos últimos meses, estamos a investir em excelentes empresas a cotar a desconto substancial do seu valor. Estas empresas pagam na sua maioria dividendos muito acima das aplicações de taxa fixa e daqui a alguns anos cotarão substancialmente acima do que hoje pagamos por elas. Muitas destas empresas aumentam todos os anos os dividendos que pagam aos seus acionistas.  Ao contrário, um investidor que investe numa obrigação a 10 anos, tem hoje um cupão mais baixo, que é constante para os próximos dez anos e no final recebe exactamente o mesmo valor que “emprestou” quando investiu.

Por isso, costumamos dizer que o investidor individual, que pode ter um horizonte de investimento de décadas, pode e deve investir em empresas excelentes e que são máquinas de criação de riqueza para o longo prazo.

Este artigo foi escrito em 12 de novembro de 2015

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