O que mudou quando mudei: Cláudia Leitão

Depois de uma primeira experiência com startups na HouseTrip, Cláudia Leitão deixou-se desafiar por outra com a Pipedrive. O seu bom desempenho deu nas vistas e, recentemente, foi convidada para trabalhar a área de Recursos Humanos nos cinco países onde a empresa tem escritórios.

Cláudia Leitão é Global Head of People & Culture na Pipedrive.

Cláudia Moreira Leitão tem vários anos de experiência em Recursos Humanos, tendo já passado por empresas como Hays, GFIe Safira e pela startup HouseTrip (Tripadvisor Rentals). Na Pipedrive desde Março de 2017, arrancou com o projecto como Head of HR & Site Leader e recentemente foi promovida a Global Head of People & Culture. O novo cargo alargou as suas responsabilidades aos 5 países onde a startup tem escritórios – Estados Unidos, Estónia, Reino Unido, República Checa, além de Portugal – e aos seus já mais de 400 colaboradores. Fundada em 2010, a Pipedrive conta já com uma rede de 85 mil clientes que se têm deixado conquistar pela simplicidade e eficácia do seu software de gestão de vendas.


“O início da Pipedrive em Portugal surge como um desafio maravilhoso, pois dava-me a hipótese de implementar boas práticas de People & Culture numa estrutura que ainda tinha toda a flexibilidade. Ser a primeira a abrir a porta tem essa vantagem. Após dois anos, e de ter crescido a equipa até às 100 pessoas, o desafio agora será replicar o sucesso de Lisboa a toda a equipa a nível global.

Os primeiros dias na nova função foram naturalmente de muita aprendizagem, conhecer a minha equipa direta, quais as “dores” e quais as características de cada localização. Cada escritório está numa fase de maturidade diferente e enfrenta desafios únicos.

Ter um lugar na senior leadership team dá ainda mais destaque à unidade de People & Culture e é fundamental sermos vistos como um aliado para sucesso do negócio

Lidar com uma equipa global e sobretudo num contexto em que outras localizações têm níveis de maturidade diferentes é sempre um desafio. Humildade é fundamental. Reconhecer que não existem fórmulas perfeitas e que o mais importante para o sucesso da equipa é saber ouvir e ter a flexibilidade para encontrar o common ground onde todos possam beneficiar.

Ter um lugar na senior leadership team dá ainda mais destaque à unidade de People & Culture e é fundamental sermos vistos como um aliado para sucesso do negócio. A minha responsabilidade é garantir que há uma visão clara dessa ligação, criar parcerias com os líderes de negócio de modo a desenvolver mecanismos que permitam implementar práticas de gestão de Pessoas e um ambiente onde o foco esteja no crescimento e na carreira.

Neste momento temos três gerações e várias culturas a trabalhar no mesmo espaço, com ambições completamente diferentes. Fazer a ponte entre todos estes contextos é talvez o projeto de uma carreira.

A minha visão da área de People & Culture tem uma perspectiva muito mais estratégica e de parceria com o negócio. Promover orientação e aconselhamento à equipa de liderança e trazer a adoção de práticas globais que venham melhorar a tomada de decisões e a estratégia no que diz respeito a práticas de People & Culture. Simultaneamente, neste momento temos três gerações e várias culturas a trabalhar no mesmo espaço, com ambições completamente diferentes. Fazer a ponte entre todos estes contextos é talvez o projeto de uma carreira.

Trabalhar com equipas globais tem o desafio acrescido dos fusos horários. O conceito de horário mudou radicalmente com os vários fusos horários. 🙂 Deixei de ter um horário chamado “normal”. Adicionalmente, é fundamental ter uma enorme sensibilidade para as diversas culturas e contextos legais e temos de acomodar a diferença da melhor forma. Encontrar um common ground.

As minhas experiências anteriores ensinaram-me temas fundamentais como a resiliência, flexibilidade, a capacidade de trabalho em contextos de rápido crescimento.

Todas as minhas experiências profissionais anteriores contribuíram para moldar a minha forma de trabalhar. Ensinaram-me temas fundamentais como a resiliência, flexibilidade, a capacidade de trabalho em contextos de rápido crescimento. Todos sem exceção foram importantes. Naturalmente que a passagem pela HouseTrip permitiu um conhecimento mais aprofundado do que é trabalhar num ambiente de startup e de como a mudança acontece com uma rapidez incrível, mas ter experiência com ambientes mais corporate foi igualmente importante para poder encontrar um equilíbrio entre os dois mundos.

O conselho que deixo a quem vai mudar para uma função de maior responsabilidade é ter muita flexibilidade e resiliência. Não perder tempo com os problemas e sim procurar sempre soluções práticas. Less is more e infelizmente ainda continuamos a olhar para sistemas que complicam mais do que ajudam. Não ter medo de mudar e de fazer algo que parece simples. Por vezes é na simplicidade que reside a solução.

Olhar para as pessoas e ver o melhor que há nelas.”