Cinco empreendedoras à conversa

Numa conversa sem filtros nem moderador, Helena Vieira, Sara do Ó, Filipa Muñoz de Oliveira, Margarida Almeida e Helena Rodrigues falaram dos desafios que enfrentaram enquanto empreendedoras e partilharam as lições aprendidas nas suas experiências.

As empreendedoras Margarida Almeida, Sara do Ó, Helena Vieira, Filipa Munoz de Oliveira e Helena Rodrigues partilharam experiências, dificuldades e conselhos.

A 2.ª parte da Conferência de Empreendedorismo Feminino ficou marcada pela mesa redonda “O sucesso não cai do céu: da luta ao crescimento”. Numa conversa descontraída, sem filtro nem moderador, cinco empreendedoras abordaram o que as levou a empreender, os principais desafios que têm enfrentado nas suas atividades e as principais lições que retiram da sua experiência enquanto empreendedoras: Helena Vieira, CEO da UAU Homes, conduziu a conversa com Sara do Ó, CEO do Grupo Your, Filipa Muñoz de Oliveira, CEO da Wiñk, Margarida Almeida, CEO da Amazing Evolution e Helena Rodrigues, CEO da AllBy. O mote para a conversa foi lançado com a pergunta “Empreendedorismo feminino – o que é isto e porque é diferente do masculino? Ou não é?”

“Provavelmente não é tão diferente assim, a diferença é o caminho que podemos ou não podemos percorrer para lá chegar”, respondeu Helena Vieira. “A questão da liderança, de ser levada a sério pelos pares empreendedores, de estar sentada na mesma mesa com empreendedoras ou empreendedores masculinos, acho que aí existe alguma diferença, de facto. No fundo, ser empreendedora no feminino é um passo para estar mais próxima desta emancipação que andamos, como dizia a Isabel [Neves], há 30 anos a procurar”, concluiu Helena Vieira, desafiando as restantes empreendedoras a responder.

Helena Rodrigues adiantou-se, referindo a necessidade de ferramentas para percorrer o caminho empreendedor feminino; Filipa Muñoz de Oliveira mencionou que existem caraterísticas especificas para se ser empreendedor que são comuns a homens e a mulheres; Sara do Ó confessou não perder tempo a refletir sobre as diferenças, preferindo usar esse tempo em momentos de partilha sobre o tema e em dar o máximo todos os dias, e Margarida Almeida enfatizou a resiliência das mulheres empreendedoras como fator diferenciador.

“Nós, como líderes, temos de puxar mais mulheres para a fila da frente, motivá-las a terem mais atitude, a imporem-se numa sala de reunião.” Sara do Ó, CEO do Grupo Your

A importância de dar o exemplo

“Nós, como líderes, temos de puxar mais mulheres para a fila da frente, motivá-las a terem mais atitude, a imporem-se numa sala de reunião. Enquanto líderes, deveríamos ter mais esta preocupação”, disse Sara do Ó, referindo a importância da liderança pelo exemplo. “A missão de um líder empreendedor também é dar empowerment. Liderança é cuidar dos colaboradores, um a um, dos clientes, um a um, e da empresa, fisicamente”, salientou a CEO do Grupo Your.

Helena Rodrigues preferiu destacar a importância de abordar temas de igualdade de género. “Temos de começar a falar sobre isso nas nossas empresas e colocá-las ao lado do desenvolvimento económico do país. Criamos emprego, desenvolvemos a economia, internacionalizamos os nossos negócios e as empresas que estão fora de Lisboa desenvolvem as suas zonas de intervenção”.

O momento certo para empreender

O tema do timming para lançar negócios também foi debatido, dividindo as empreendedoras sobre se existe ou não um momento certo para o fazer. “Nunca na vida me passou pela cabeça ter uma empresa”, afirmou Margarida Almeida, que em 2010 se viu a braços com a falência da empresa de que era administradora, situação que conseguiu reverter. “Eu acho que há um timming, que temos de saber ao que vamos. Se me dissessem há 10 anos que ia construir a primeira empresa de gestão independente de hotéis em Portugal, não acreditava”, afirmou a CEO da Amazing Evolution. Já Helena Vieira discordou de Margarida Almeida. “Acho que é bom não saber tudo, se não, não se vai!”

Por sua vez, Filipa Muñoz de Oliveira falou nas “dores de crescimento” de um negócio, da influência que estas têm no empreendedor e do desafio que é ultrapassá-las. No caso da Wiñk, foi “um momento de crescimento enorme”, em que o negócio de Filipa Muñoz se internacionalizou. “É um momento que afeta o nosso bem-estar, a estrutura da empresa, a oferta, em que se diz ‘ou eu faço isto, ou tudo o que construí vai à vida’.”

Finalmente, Helena Vieira usou o exemplo da UAU Homes para mostrar que é possível empreender em áreas diferentes daquelas que mais se domina. “A área em que estou a empreender agora é negócio puro — a área do turismo, que não é a minha área de intervenção. Sou cientista, continuo a dar aulas na universidade e gosto muito, mas também descobri que ser empreendedora é fazer negócios, é gerir, é ter desafios”, contou Helena Vieira, que decidiu encerrar o seu segundo negócio, a My.Skinmix, antes que “desse mal”. “Tomei a decisão um ano antes de fecharmos a empresa. Para mim já não era a primeira experiência, mas para a minha sócia, Ana Prata, era um auto-emprego e fechar foi uma decisão emocional”.

“Só se descobre quais os desafios que se vão enfrentar depois de começar o negócio.” Helena Vieira, CEO da UAU Homes.

Os conselhos de quem sabe

Em jeito de conclusão, as empreendedoras deixaram à plateia alguns conselhos. Entre outros, Margarida Almeida enfatizou a importância de se “ter coragem para defender convicções” e de seguir o caminho em que se acredita; Sara do Ó reforçou o cuidado necessário que é preciso ter com os atalhos que se vão encontrando ao longo do caminho, que “no início parecem fáceis, mas que se tornam mais difíceis”; Helena Vieira alertou que só se descobre quais os desafios que se vão enfrentar “depois de começar” o negócio, independentemente da área escolhida; Filipa Muñoz de Oliveira insistiu na ideia de “tratar bem os colaboradores” e na importância da seriedade na tomada de decisões; e Helena Rodrigues mencionou a importância do equilíbrio “entre aquilo que é real e dá dinheiro e a nossa paixão.”