Centennials: como lidar com a nova geração

As empresas já começam a preparar-se para a chegada de uma nova geração ao mercado de trabalho e de consumo. O que têm de novo os Centennials e como conquistar a sua confiança.

A nova geração é mais impaciente do que a sua antecessora.

Quando ainda se fala muito dos Millennials (ou Geração Y), há já quem se tenha antecipado a estudar a geração seguinte, os Centennials, também designada como Geração Z. Ainda que seja uma geração muito jovem, os mais velhos terão actualmente 19 anos, demonstram já traços que os distinguem da geração anterior, e começam a captar o interesse das empresas, quer como futuros consumidores, quer como futuros colaboradores.

Nascidos a partir de 1997, são a primeira geração que cresceu em pleno boom tecnológico, onde a existência de uma realidade sem Internet, sem redes sociais e a informatização de todas as coisas é um cenário desconhecido. Estão habituados a usar estas ferramentas ao máximo, procurando com elas ultrapassar todos os problemas com que se deparam.

Estes jovens cresceram (e crescem) em condições mais difíceis que as dos seus antecessores Millennials: o fraco crescimento económico, a crise financeira e os conflitos armados, são factores que contribuem para uma mindset e valores já diferentes dos Millennials.

Conheça mais algumas das características próprias dos Centennials.

Abertos à diferença. Se os Millennials já demonstravam ser uma geração mais tolerante do que a antecessora Geração X, o respeito pela individualidade e a diferença atinge níveis históricos com os Centennials. Temas como a igualdade de género e os direitos dos homossexuais e transsexuais, praticamente já não geram discussão. Os membros desta nova geração são mais espontâneos e menos inibidos na expressão da sua subjectividade e gostam que os outros mostrem livremente as suas “verdadeiras cores”.

Mais pragmáticos e realistas. Um estudo publicado pela Future Company, consultora norte-americana, mostra-nos que 60% dos Centennials norte-americanos preferem ter garantias de que não irão passar privações do que a possibilidade de se tornarem ricos e 68% destes jovens têm receio de não estar preparados para o seu futuro. A maioria dos inquiridos concorda que é muito difícil, se não impossível, progredir pessoal e profissionalmente sem um curso superior.

Ao contrário dos Millennials, caracterizados por expectativas muito altas em relação às suas possibilidades de carreira e o nível do estilo de vida que ambicionam, os Centennials distinguem-se por serem muito mais realistas no que diz respeito aos seus planos. Vivendo numa realidade mais exigente e insegura, os Centennials sabem que têm de trabalhar muito e dedicadamente para atingir os seus objetivos, demonstrando uma menor tendência para arriscar do que os Millennials. O mesmo estudo indica que apenas 30% dos adolescentes inquiridos revelou vontade de ter comportamentos arriscados ou mesmo perigosos contra 47% das intenções manifestadas pelos Millennials quando tinham a mesma idade.

Auto-confiantes e mais impacientes. Os Centennials convivem desde tenra idade com um ambiente de excesso de informação e estímulos sensoriais, por isso demonstram uma capacidade maior de filtrar informação em pouco tempo. Por outro lado, essa capacidade traz consigo o inconveniente de serem muito mais impacientes, com um índice de concentração  significativamente mais reduzido do que o das gerações anteriores.

Provavelmente, fruto do uso intensivo das redes sociais e da sua cultura mais egocêntrica, os Centennials são muito conscientes do que são e do que querem ser. Se os Millennials são a geração de fashionistas sempre atentos às novas tendências e encarando o vestuário como um modo fundamental de expressão da sua identidade, os Centennials, pelo contrário, são muito mais simples e informais do que os seus antecessores. O estudo da The Futures Company revela que apenas 47% confessou importar-se com o seu estilo, face aos 65% de Millennials que responderam à mesma pergunta. Do mesmo modo, a “seriedade” e “self-awareness” dos Centennials sobressaí nas suas opções de consumo: o mesmo inquérito feito a estes jovens concluiu que uns impressionantes 72% acha que ter coisas novas não é importante, quando o que se tem já é (ou ainda é) bom e suficiente.

COMO ESTABELECER CONTACTO
Tenha uma mente aberta. Os Centennials cresceram numa sociedade plural e multicultural que valoriza e aceita as diferenças. Empresas e marcas que revelem este tipo de preocupações e se mostrem mais inclusivas são as que terão mais facilidade em comunicar e atrair esta nova geração.Antecipe o empowerment. Os Millennials respeitam as instituições e o mercado, mas os Centennials são menos pacientes. O vasto leque de ferramentas tecnológicas com que cresceram permite-lhes criar o seu espaço de trabalho em qualquer lugar e evitar as fricções típicas do convívio laboral.Afrouxe as rédeas. O seu desejo de controlar não apenas o trabalho mas o sistema, faz com que os Centennials sejam capazes de usar todo o know how adquirido com as ferramentas tecnológicas para ganhar controle em situações que não lhes agradem. Esteja preparado para ceder algum controlo e trabalhar com eles para desenvolver as suas táticas e estratégias, ou arrisca a que o eliminem da equação.

É certo que os Centennials ainda são muito jovens e inexperientes para que possamos ter uma noção mais completa das suas perspectivas sobre o mundo e a sociedade, mas serão eles os responsáveis por grandes transformações sociais e políticas? Uma coisa é certa, eles têm vontade de mudar e são muito menos conformistas que os Millennials. E com todas as novas ferramentas e conhecimentos que dominam, irão servir-se deles para tomar controlo sempre que as circunstâncias se provarem insatisfatórias.