Viciadas na corrida

Quando era pequena, numa altura em que as tablets eram só de chocolate e sem Wifi, tive vários diários. Muitas páginas preenchidas com problemas verdadeiramente importantes e que, certamente, hoje seriam partilhados nas redes sociais. Mas a maior parte das vezes começava a narrativa profunda da mesma forma: “Querido diário, peço desculpa por não escrever há muito tempo…”

Era assim que devia começar este post, o mínimo que poderia fazer, num ato de verdadeiro respeito pelo meu clube de fãs de três pessoas, incluindo a minha irmã. Nos últimos meses, a minha vida dividiu-se entre marido, filhos, trabalho, TPC e as tarefas domésticas (lá se foi uma fã, aquela que  achava que ia ao ginásio, e não para a lavandaria cá de casa, sempre que eu dizia que ia dar no ferro…). E quando falo em TPC não me refiro aos trabalhos de casa dos meus filhos, esses faço questão de deixar para eles. Quando falo em TPC falo do que passou a ser meu por direito e por obrigação quando me inscrevi num curso de cinco meses. Durante esse tempo passei a acumular, em média, mais 15 horas de trabalho por semana, num frenesim que me ocupou bastantes fins de semana e que, muitas vezes, lançou a minha vida numa rotina para lá de esquizofrénica e o meu vocabulário num chorrilho de vernáculo irreproduzível.
Curso terminado. Fogo de artificio. Champanhe. Alívio. Tédio.
Confirmo. Tédio. É o sentimento que neste momento prevalece. Sempre trabalhei melhor sobre pressão, é dela que se alimenta a minha criatividade. A corrida, vicia, todo sabemos, tanto a que move desportistas pelas ruas da cidade fora como a verdadeira correria do dia-a-dia. Ambas se fazem com o objetivo de atingir metas cada vezes mais difíceis de superar. E ambas são apenas saudáveis se não forem levadas ao extremo. Ainda não percebi se o meu tédio é razoável ou um sintoma de uma dependência patológica, mas entendi finalmente o que move aquelas mulheres que tanto admiramos, que conseguem fazer muito mais do que nós no mesmo período de tempo (embora ninguém bata Jack Bauer, da série 24h,… lembram-se?). É também a vontade de fazer mais e melhor que, tenho a certeza, move a Isabel Canha e a Maria Serina, fundadoras da Executiva.pt, que comemora hoje o seu terceiro aniversário. Por favor, não abandonem a corrida!