Vai onde te leva o GPS

– Mãe, quando é que chegamos? Estou a ficar enjoada.
Estamos no táxi com destino à  Rua do Paraíso, em Lisboa, e quase que é preciso ir à Rua do Vale do Inferno, em Coimbra, para lá chegar. Quando pergunto o porquê da demora, o taxista responde que foi por onde o GPS o levou. Que a 15 km da sua área normal de atuação, não é obrigado a conhecer as ruas. Mas um taxista que não sabe onde é a Avenida da Liberdade é como um médico que não sabe localizar a aorta e que se rendeu à ditadura da tecnologia. O taxista costumava ser o nosso GPS e em momentos de aflição era ele que nos indicava a Rua do Sacramento e com muito menos margem de erro. Agora para chegar à Rua 1º de Maio, a Rua 1º de Dezembro é rés-vés campo de Ourique. E, depois de tanta volta ao som da Mónica Sintra, a cantar à desgarrada com a senhora do GPS, quando a miúda finalmente vomita no banco de trás, ao passar a Praça do Comércio, cai o Carmo e a Trindade. Chamem a polícia, que eu não pago…