Vai chamar avó a outra!

– Mãe não ficas nada bem com o cabelos curto.
– Não gostas?
– Não, ficavas melhor com o cabelo comprido.
– Oh, mas eu gosto.
– Pareces a avó.

Aí pára. É aqui que a liberdade de expressão do meu filho colide com a minha liberdade de exercer uma ativa ditadura maternal. A sua liberdade acaba quando começa a minha liberdade de achar que estou super gira e super jovem com o meu novo penteado (ou hairstyle, porque os cabeleireiros agora são hairstylists, ok?), apesar de não ter conseguido ficar com a estrutura óssea e os olhos da miúda que, na Internet, tinha o penteado que eu queria (e a pele que eu queria, e a idade que eu queria). E como é que eu passo daí para ser comparada com uma senhora que eu adoro mas que efetivamente tem mais 30 e tal anos que eu?!. Ouvir isto do meu próprio filho – cujo gato a carvão elogiei mesmo o tendo confundido com um porco, a quem eu não teci uma única crítica ortográfica quando me entregou um cartão a dizer ‘ai lave iu’ – é um golpe duro para uma mãe. Se eu soubesse o que sei hoje, ontem não o teria deixado ganhar ao Monopólio, oferecendo-lhe uma noite grátis no meu hotel da Rua do Ouro. Vai ver, da próxima vez que jogar ao Pictionary! Não voltarei a dizer que a culpa é minha de não ter adivinhado quando ele fizer um rato com cara de cavalo. Eu sabia que não devia ter achado graça aos pontapés que me deu ainda dentro da barriga.
– Mãe, este desenho é para ti.
– Está lindo querido, adoro o submarino.
– Não é um submarino, é uma canoa.
– Ai, que disparate, a mãe está sem óculos…
Ele não disse mesmo avó, pois não?