Um sábado de verão em Lisboa

Não há nada como estar em Lisboa durante o mês de Agosto. Há pouco trânsito e há um tempo muito mais calmo na cidade, a não ser nos sítios onde se concentram o turismo de massas e os tuc-tucs que enxameiam agora a cidade.

Sábado de manhã é tempo de praia, quase sempre a do Castelo, na Costa de Caparica, essencialmente porque sim, já que o areal é extenso ao longo do oceano, mas sempre o mesmo. Só os parques de estacionamento é que mudam e o meu preferido é este.

Costa da Caparica pela manhã, antes do grande fluxo de gente.

Nas horas que estou por ali, palmilho quilómetros ao longo do areal, olhando o mar, as pessoas e os aviões que passam com frequência no céu, em direcção ao aeroporto da cidade. Gosto de praia, de areia, do mar da Costa e da temperatura fria da sua água. Também de ver as pessoas por ali, alguns a surfar as ondas, e nada me consegue manter em cima de uma toalha à torreira do sol.

Imperial e Vinho Verde

Nos sábados mais amenos, gosto agora de ir para o final da Almirante Reis, talvez por ser um lugar especialmente cosmopolita da cidade. Num destes dias fui até à Marisqueira do Lis, para uma sessão com ostras abertas ao natural, suponho que do Rio Sado pela consistência e sabor, uma sapateira e já não me lembro o que mais. A companhia inicial foi uma imperial Sagres, que é sempre bem tirada nesta casa, o que não se pode desperdiçar, e tremoços. É uma ligação simples, mas quase indispensável, para mim, após a saída da praia nos dias quentes.

Depois abriu-se, para companhia do marisco, uma garrafa de Solar das Boças Loureiro, para quatro, porque é boa parceira dos acepipes que estavam na mesa. Também foi para matar saudades, pois agora é raro ver este vinho por terras de Lisboa. E outros que ficam bem com marisco, já que, aparentemente, quem vai a marisqueiras quase só pensa em cerveja.

Eu, da minha parte, gostava de ter uma oferta mais variada, e mais adaptada. Mas sou talvez esquisito.

Como quase sempre, o vinho foi servido em flute, retirado do congelador, mas ninguém estranhou quando pedi um copo mais apropriado para o bebermos.

Depois, e como quase sempre faço, fui espreitar o supermercado indiano do Centro Comercial Martim Moniz, para comprar algumas especiarias antes de deambular um pouco pela zona central da praça, para ver como estavam as coisas.

Margarita é apenas uma das opções para refrescar o final de tarde quente de Verão.

Uma margarita refrescante

Posso dizer que este é o meu novo local favorito da cidade. É cosmopolita, não há stress aparente na cara das pessoas, pode-se pedir e estar a apreciar longamente uma bebida, seja um copo de vinho, cerveja ou um cocktail, a ouvir música ao vivo, ou até dançar, pois é isso que vejo vários a fazer quase sempre. Bem perto ficam as vielas de Mouraria, terra de fado e de fadistas que vai sendo conquistada por gentes do Extremo Oriente, onde sabe sempre bem passear. Mas isso são outras histórias. Hoje fico-me pelo Martim Moniz, lugar onde gosto de estar aos sábados ao fim de tarde, em Lisboa, agora que o tempo está quente. Para companhia, para além da mulher e dos filhos, com quem sabe sempre bem estar, uma Margarita envolvente, fresca e saborosa, e sempre boa música a convidar a ficar.

Salsa e dança de final da tarde no Martim Moniz.