Um Porto às cinco

 

Pedro Silva Reis, director de marketing e membro da família proprietária da Real Companhia Velha, e Jorge Moreira, responsável pela enologia da empresa.

Pedro Silva Reis, director de marketing e membro da família dona da Real Companhia Velha, e Jorge Moreira, responsável pela enologia.

 

A Real Companhia Velha propõe a companhia do Vinho do Porto para momentos de descontracção de fim de tarde, na companhia de algumas sugestões de comida.

O local, o Hotel Ritz, em Lisboa. O objectivo era divulgar o Porto das cinco by Real Companhia Velha, empresa que criou este movimento como forma de dinamizar o consumo de Vinho do Porto. Segundo o seu director de marketing e descendente da família proprietária, Pedro Silva Reis, os portugueses estão cada vez mais a despertar para hábitos enraizados noutros países, como passar em bares, bares de vinho, quiosques e esplanadas depois do trabalho, “para momentos de convívio enquanto tomam um café, uma cerveja ou um copo de vinho, a solo ou harmonizado com snacks ou finger food”, explica.

A ideia da campanha “Porto das cinco” foi despertada pela imagem de Catarina de Bragança, a princesa portuguesa que se tornou monarca de Inglaterra e Escócia no século 17, ao desposar Carlos II, e que levou, entre outros, o hábito de beber chá e de usar talheres para a corte inglesa. Daí este convite, para provar Porto às cinco, que pode ser um LBV ou um vintage novo com um queijo azul ou um pica-pau de carne de vaca grelhada, ou um Porto branco seco com ceviche. É uma campanha de sedução, que a Real Companhia Velha está a levar a cabo em diversos estabelecimentos nacionais.

No evento foram experimentados diversos duetos, entre os quais se destacaram o de Royal Oporto 10 anos, um tawny, com laranja confit coberta de chocolate de leite, e o de Real Companhia Velha Vintage 1967 com queijo stilton com cracker de especiarias e maçã granny smith desidratada. Antes, Jorge Moreira, o enólogo da empresa, realizou uma prova comentada de quatro Vinhos de Porto colheita (1977, 1980, 1999, 2003), da marca Royal Oporto, e quatro vintages da Quinta das Carvalhas (1997, 2004, 2007, 2013), as que se encontram no mercado em Portugal. Foi uma viagem no tempo, por colheitas diferentes, que demostrou, sobretudo, que o ano também influencia Vinhos do Porto marcados pelo estágio prolongado em madeira.

 

Prova de Portos

Royal Oporto colheita 1977

Porto tawny distinto, com aroma fino, onde se salientam algumas notas lácteas de madeira, folha seca e turfa, e citrinas a lembrar laranja caramelizada. Na boca é elegante, agradável, muito persistente, com aromas que lembram principalmente figos secos. PVP recomendado: 90 euros. (Classificação: 17,5/20)

Royal Oporto colheita 1980

É um dos vinhos que gostaria de ter como companhia de fim de tarde, na companhia de frutos secos, em especial amêndoas torradas e nozes. No seu aroma, elegante, salientam-se as notas de ameixa seca, frutos secos e madeira de bosque. Na boca é elegante, macio e longo. PVP recomendado: 80 euros. (Classificação:17/20)

Quinta das Carvalhas Vintage 2007

Produzido num ano quente, com água disponível no solo e boas condições de maturação, este vintage apresenta um aroma intenso, exuberante, com notas de frutos vermelhos a lembrar cereja, mas também pretos como ginja e frutos silvestres como amora das silvas. Elegante, suave e estruturado na boca, tem um final médio agradável. PVP recomendado: 40 euros. (Classificação:16,5/20).

 

Classificação da prova de vinhos

Em cada texto do blogue Viagens com Aromas apenas são destacados entre dois a quatro dos vinhos mais bem classificados. Eis o que a a classifcação diz de um vinho:

18 a 20

Um grande vinho, profundo, com uma personalidade e complexidade que o distingue de todos os outros e proporciona, a quem o degusta, uma experiência única.

16 a 17

Um vinho complexo, distinto, de boa qualidade e potencial de evolução, que vale sempre a pena apreciar.

14 a 15

Um vinho bem feito, consistente, que proporciona satisfação a quem o bebe.

12 a 13

Um vinho simples e honesto, do dia-a-dia, sem defeitos nem aspirações.

Todos os vinhos com classificação inferior são desinteressantes, desequilibrados ou apresentam defeitos. Nunca serão mencionados nestes artigos.