Twitter: Trump ou Slump?

O Twitter tem estado em voga ultimamente, por causa das mensagens constantes do presidente norte americano. Parafraseando Jack Dorsey, CEO desta plataforma, “the whole world is watching Twitter”.

Mas a realidade é um pouco diferente, uma vez que a sua curva de crescimento tem sido bastante lenta, a par de resultados negativos de significativa dimensão. O prejuízo de 167 milhões de dólares no último quadrimestre de 2016 acentuou o resultado negativo anual de 457 milhões de dólares). E no dia da apresentação dos últimos resultados, as suas acções caíram 12%.

Mesmo para os utilizadores activos do Twitter, a frequência de utilização tem vindo a regredir. Se a plataforma conseguiu aumentar o número de utilizadores em 2 milhões nos últimos 4 meses, o Facebook adicionou 72 milhões no mesmo período e aumentou o numero de utilizadores em 23%, durante todo o ano de 2016. Parece, pois, que nem o efeito Trump está a levar à adesão massiva de novos utilizadores.

Percepcionado como uma plataforma de utilidade pública, como foi o caso da Primavera Árabe ou da campanha Black Lives Matter (As Vidas Negras Importam), que consiste num movimento activista internacional, contra a violência direccionada às pessoas negras), o Twitter é valorizado como “a plataforma das pessoas que se concentra em temas públicos”, e não como uma plataforma com foco em assuntos comerciais ou pessoais. Por outro lado, a maior crítica assenta no facto de que se trata de um repositório de mensagens tóxicas, muitas vezes repletas de ódio ou incentivo ao conflito.

Apesar de ter 1.3 mil milhões de registos, o Twitter aparece em 8º lugar no ranking das redes sociais, com 320 milhões de utilizadores activos, atrás do líder Facebook (1 .871 milhões), WhatsApp, QQ, Wechat, QZone, Instagram e Tumbrl.

Destes utilizadores, apenas 100 milhões utilizam a plataforma diariamente, ao contrário do Facebook que regista 1,75 mil milhões. De facto, há 500 milhões de registos que não fazem login uma única vez por mês e apenas 43% publicam tweets.

Com estes números, o Twitter encontra-se numa encruzilhada estratégica, uma vez que também as receitas publicitárias decresceram 638 milhões de dólares face ao ano anterior. Mais do que novos utilizadores, o Twitter precisa encontrar novos anunciantes.

Há quem advogue que se inicia uma rota de declínio, apontando uma razão: o futuro da comunicação está no vídeo e o Twitter parte atrasado neste domínio. Um rápido benchmarking dirá que tanto Facebook como Snapchat estão muito à frente nesta matéria e são percepcionados como plataformas onde, cada vez mais, a imagem em movimento é uma das suas principais características.

Contudo, em 2016, o Twitter apostou em conteúdos ao vivo, como seja a Bloomberg TV ou NFL (National Football League) – http://fortune.com/2016/04/15/nfl-twitter-games/ – para além de tentar dar vida ao seu serviço de vídeo Periscope – sendo o caso mais mediático a entrevista a Edward Snowden. E curiosamente, esta é a área mais rentável do negócio. O problema é que o Twitter não é o destino natural para vídeo, como o são o Youtube, Snapchat ou mesmo Facebook. Se o “time to market” é muito relevante, a imagem percebida ainda o é mais.

Esta indefinição sobre o seu posicionamento estratégico já contribuiu para o corte de 9% dos seus colaboradores, entre os quais o COO e CTO.

Assim, o grande dilema que se coloca, é ao nível do Marketing Estratégico: como não perder o comboio do vídeo, sem desfocar do que é a sua verdadeira vantagem competitiva, que consiste na partilha rápida de notícias?

Ou se foca no vídeo, ou se reinventa!