O talento para a gestão é escasso

Os bons gestores jogam damas enquanto os grandes gestores praticam xadrez dizia Marcus Buckingham, no artigo “What Great Managers Do“, de 2005 na Harvard Business Review. Explicava que no jogo de damas as peças são uniformes e movem-se da mesma maneira, são intermutáveis. Exigem um plano e coordenação de movimentos mas as pedras movem-se ao mesmo ritmo e em caminhos paralelos. No xadrez, os movimentos das peças são mais complexos e não se pode mexer as peças sem conhecer a regra como cada peça se move. Tem de se pensar como cada jogada se repercute nas outras peças e no jogo e por isso tem de ter planos coordenados.

A gestão é muitas vezes vista como uma questão de talento do CEO mas há quem refira que a gestão é um conceito mais amplo do que simplesmente a soma dos átomos de capital humano do empreendedor e dos funcionários chamando a atenção para a cultura de organização das empresas. As competências dos gestores (e claro de todos os trabalhadores) são importantes para a performance da empresa e são o factor que, por vezes, faz a diferença entre as empresas bem geridas e as outras.

Mesmo sabendo-se que uma boa orquestra se faz de bons músicos, o maestro também é importante. Hoje o check list exigido do bom gestor implica múltiplas competências, pessoas que têm que ser adaptáveis, resilientes, flexíveis, humildes, que saibam comunicar demonstrando capacidade de escuta, transparência, autenticidade, entre outras.

Estas exigências fazem do grande gestor uma raridade. É aqui que surge a questão de senso comum da guerra pelo talento, e que nos anos 1990 a Mckinsey colocou na ordem do dia. “Se os grandes gestores parecem escassos é porque o talento requerido para o ser é uma coisa rara. Uma pesquisa da Gallup revela que só uma em cada dez pessoas tem talento para gerir” referia-se no artigo “Why Good Managers Are So Rare”, de Randall Beck e James Harter, publicado na Harvard Business Review em março de 2014.

Artigo “What Good Managers Do”, da Harvard Business Review

Artigo “Why Good Managers Are so Rare”, da Harvard Business Review