Serviço de bullying ao cliente

– Mãe, com quem estavas a falar?
– Com o serviço de apoio ao cliente da operadora telefónica.
– O que é isso, mãe?
– É uma linha para a qual telefonamos quando precisamos de ajuda.
– Não te ajudaram muito, pois não?

Ela tem razão. Passei meia hora a barafustar com o senhor do serviço ao apoio ao cliente. E nesses trinta minutos recebi tudo menos apoio. Alguns dos seres que se encontram do outro lado da linha – serão humanos? – conseguem ser verdadeiros bullies. É como discutir com pessoas que nunca perdem a calma (mas que fazem comentários passivo-agressivos), que vão baixando a voz à medida que nós elevamos a nossa. Que por muitas perguntas que façamos nos respondem sempre da mesma maneira e, no fim, ainda têm o descaramento de nos perguntar: “posso ser-lhe útil em mais alguma coisa?” Dos 50 telefonemas que fiz para reclamar uma fatura em papel (sim, em papel!), pediram-me para confirmar a minha morada 49 vezes e da vez que não o fizeram puseram em causa a competência do carteiro.
Falam do carteiro com a cautela de quem lida com uma espécie em vias de extinção e quando ouvem o termo papel, assumem um tom levemente trocista ao mesmo tempo que sugerem que há uma coisa chamada Internet, outra chamada email e ainda outra chamada fatura eletrónica. Falam muito lentamente, em baixa rotação, porque no sistema (aquela entidade abstrata que supostamente sabe tudo mas está sempre em baixo) podem ver que nasci nos anos 70, quando havia uma coisa chamada gira-discos. Eu respondo-lhes que não recebo correio eletrónico no meu ZX Spectrum e que vou ter mesmo de recorrer ao carteiro, mas que fiquem descansados que ele tem onde amarrar o cavalo. Pois eu cá já amarrei a burra e agora vou acender a fogueira para assar o mamute do jantar.
(Será que estes 30 minutos de mau-humor estão incluídos no meu pacote TV+NET+VOZ+BULLYING?)