“Querido, vamos ter mais um adolescente”

Quando penso em ter mais um filho, esta é a frase que me traz de novo à razão. É que, se olharmos bem para os álbuns de família, vemos um padrão bem definido. Temos a primeira vez que gatinhou, a primeira vez que andou, o dia em que disse mãe… Mas onde está a foto do primeiro siso? Da primeira vez que saiu com os amigos e se distraiu na dose de Pisang Ambon (será que ainda alguém bebe Pisang Anbom? Ou Malibu?) E aquela primeira vez que nem ele quer mais tarde recordar?

À medida que eles vão crescendos, este tipo de souvenires emocionais vão diminuindo. Além da Maria Dolores Aveiro, não conheço nenhuma outra mãe que tenha uma sapatilha número 45 emoldurada na sala. É que quando se pensa em ter um filho pensa-se num bebé pequenino, de chucha e fralda, gorducho e sorridente. Ninguém pensa num recém-nascido a chorar a noite inteira, em recém-mamãs gorduchas e nem sempre sorridentes ou em adolescentes que negam terem saído de dentro delas. A verdade é que se assim não fosse o mundo seria uma secção de voto num dia de sol. Agora, também não é preciso exagerar em prol da continuação da espécie.

“O dia mais feliz da minha vida foi o dia em que nasceu o meu filho.” Calma. E os dias que não envolvem arrastadeiras, não contam?