Psicodrama do e-mail

Woman working at desk

– Filho, vai fazer os trabalhos de casa.
– Mãe, prometo que faço amanhã logo de manhã.
Ora bem, se esta família fosse uma empresa, eu exigiria que o meu filho me enviasse um e-mail com a sua promessa. Aliás, eu ter-lhe ia enviado logo uma mensagem com a pergunta, ainda que ele tivesse mesmo ali ao meu lado. Acederia por escrito, colocando em Cc o seu pai e em Bcc a professora, de forma a que ninguém me pudesse depois apontar o dedo ou desculpar-se com falta de informação sobre o assunto. Porque isto de tomar decisões é muito solitário e o que está mesmo a dar é partilhar responsabilidades num fenómeno chamado desreponsabilização coletiva. E faria mais: enviaria o e-mail com aviso de recepção e de leitura – confiar na palavra dos outros é demasiado ZX Spectrum. Num género de psicodrama do e-mail, eu estaria a falar com o meu filho frente a frente, o pai estaria a testemunhar tudo em silêncio e a professora escondida debaixo da mesa de jantar.
– Mãe, acreditas em Deus?
– Querido, antes de responder, pede só à tua avó que saia do louceiro. Eu não nasci no século passado.