Portugal: Número de administradores duplica em cem anos

Ao longo de um século (1913-2010) o número de administradores nas 125 maiores empresas portuguesas duplicou e passou de média de 4,3 para 8,7 tendo sido constante, com a excepção no período após as nacionalizações. Em termos comparativos internacionais, é um rácio baixo o que reflecte a dimensão relativa das empresas portuguesas. Aliás os autores dão o exemplo da maior companhia ferroviária que em 1913 tinha 20 administradores enquanto dois terços das empresas tinham 3 ou menos gestores. A partir de 1957 as empresas financeiras passaram a ter, em média, mais administradores do que as outras empresas tendo passado de uma média de quatro para cerca de onze. Mesmo assim talvez não reflicta a diferença de complexidade em termos de gestão.

O artigo de Álvaro Ferreira da Silva e Pedro Neves (“Business Coalitions and Segmentation-Dynamics of the Portuguese Corporate Network”) escolhe momentos durante o período de análise que permitam fazer uma fotografia da realidade das ligações e das redes entre gestores de topo. Optam por 1913 porque marca o que se chamou o “longo século XIX”, que se caracterizou pelas mudanças institucionais e por um lento crescimento económico e industrialização fraco. Segue-se 1925 pois foi o fim das protecções aduaneiras a vários sectores industriais, que duravam há cinco anos, e se deu a reestruturação do sector financeiro. O ano de 1937 permitia captar o impacto nas empresas das políticas monetárias e fiscais no mercado interno de estabilização do final dos anos 1920, que foi seguido pela Grande Depressão. Em 1957 Portugal preparava-se para entrar num período de crescimento económico que o levaria a transformar-se num país industrial em 1963. Por sua vez em 1973 representa o fim do período de ouro de crescimento económico e da última rede corporativa pouco antes da revolução de 1974. Em 1983 capta o impacto das nacionalizações de 1975 enquanto 1997 faz o instantâneo das redes empresariais depois de grande parte das privatizações e 10 anos após a entrada na União Europeia. Em 2010 faz o retrato actual das networks empresariais.

Grafico_administradores

A LER

O artigo “Business Coalitions and Segmentation-Dynamics of the Portuguese Corporate Network” é de Álvaro Ferreira da Silva, professor associado na Nova School of Business and Economics, e de Pedro Neves, professor auxiliar no Instituto Superior de Economia e Gestão. Foi publicado na obra “The Power of Corporate Networks. A Comparative and Historical Perspective”, coordenada por Thomas David e Gerarda Westerhuis, Routledge, 2014