Pensar o Amanhã

Assim que nos aproximamos do final de mais um ano tendemos a prognosticar algumas tendências sobre aquilo que pode representar o futuro a curto prazo. Tendências essas que não se desviaram do seu caminho pelo facto de termos conhecido um ano atípico, resultado do efeito pandémico.

A verdade é que esta situação anómala provocou a necessidade de acelerar, em muitos casos, um conjunto de políticas, estratégias e táticas que poderiam estar meio adormecidas, designadamente todos os processos de transformação digital das empresas.

Assim, vamos assistir ao reforço de alguns fenómenos, a nível global, individual e empresarial.

Global – assistiremos ao predomínio crescente das economias asiáticas, em particular a chinesa. Uma frase que se vai ouvindo um pouco por toda a parte e nas revistas económicas diz que “a China será o número 1 em praticamente tudo” e que ganhará uma supremacia num futuro próximo por força de potencial liderança no mercado 5G. A concretizar-se este efeito será na China que se concentrará a maior classe média mundial (cerca de mil milhões de pessoas), por esvaziamento do que acontece hoje na economia norte-americana e na Europa ocidental.

Reforçar-se-á uma cada vez maior concentração das populações nas cidades por questões que se prendem com a conveniência, facilidade no acesso digital e a optimização de todo o tipo de funcionalidades. As cidades ocupam pouco mais de 1% do território mundial, mas concentrarão nos próximos tempos cerca de 60% da população.

A tecnologia continuará a evoluir em progressão geométrica, onde a inteligência artificial vai aprendendo com os algoritmos que vão sendo criados, acelerando todo o processo de inovação.

Individual — irá acentuar-se o protagonismo crescente do género feminino na liderança das economias e das empresas, podendo projetar uma maioria ainda durante a próxima década. O índice de natalidade continuará a baixar nas economias ocidentais e a aumentar nas outras áreas geográficas, designadamente no sudoeste asiático ou África subsaariana. As novas gerações modificarão a centralidade do consumo, privilegiando a partilha ao invés da propriedade. Nascerá uma nova classe média com hábitos urbanos distintos dos atuais.

Viveremos as cidades no futuro próximo com a transversalidade da tecnologia, que nos acompanhará em casa, no transporte, na escola e no consumo, seja pelo efeito e-commerce ou pela recorrência à cripto moeda.

O grande desafio individual passa por saber viver embrenhado em tecnologia e utilizá-la de forma a que esta possa potenciar a eficácia do modo de vida, libertando tempo para tudo aquilo que aumente o nosso prazer diário.

Empresarial — a tendência de décadas de compartimentar os processos de gestão, desde o ciclo de vida do produto ou dos clientes, às fases das matrizes estratégicas, deixarão de fazer sentido. É com o foco nos clientes, através da agilização e simplificação de processos e na capacidade da rápida tomada de decisão que se destacarão as empresas bem-sucedidas do amanhã. Ao nível da gestão das empresas devemos refletir sobre cada uma destas tendências e preparar o possível impacto das mesmas na sua gestão estratégica

É precisamente neste novo mundo que vamos encontrar inúmeras ameaças e oportunidades, a nível individual ou empresarial. Será seguramente a nossa capacidade de adaptação que vai determinar os novos pontos fortes e pontos fracos na confrontação com a realidade.

É uma boa altura para revermos estas tendências. Porque elas vão ocorrer durante o nosso tempo de vida e estão aí ao virar da esquina.

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