Os pais das crianças felizes também comem areia

– Mãe, queres vir fazer um castelo de areia comigo?
Nunca ouvi nenhuma criança dizer que vai construir uma casinha com quarto e sala. Eles é logo castelos, com túneis e muralhas, rodeados do mar de sangue azul que lhes corre nas veias da brincadeira. E quem os ajuda na empreitada não tem direito a mordomias – cava mais fundo!, vai buscar água!, ordenam, muito hirtos, não vá a coroa imaginária cair ao baixarem-se para encher todos os baldes de areia molhada para as torres que planeavam edificar ainda não tinham chegado à praia. E nós, que engolimos o último livro de uma coach parental qualquer armada ao pingarelho, obedecemos. Comemos todos os ‘bolinhos de chocolate’, cantamos os parabéns a todos os membros da família numerosa do chapéu do lado. Normalmente sabe-se se uma mãe fez praia de manhã ou de tarde consoante o braço em que apanhou o escaldão. Ou como é que pensam que aquela mãe magrinha (sim aquela com a marca da almofada Caia na cabeça) conseguiu um bronze por igual?! Pois, de certeza que não passa o dia a enfardar as ‘bolas de Berlim’ feitas pela sua pequena masterchef. Talvez não fosse má ideia trancar a pequena Rapunzel de cabelo dourado na torre do palácio megalómano que me obrigou a construir. Só a manhã de segunda e a tarde de terça, ainda por cima as tranças estão super na moda… Uma ‘bola de Berlim’ na boca da autora do livro ‘Os pais das crianças felizes também comem areia’ (editora baza) e está feito.