O old boys club não é uma fantasia

 

A não perder na Executiva

Cristina Mesquita, Euromadi

Cristina Mesquita é diretora-geral da Euromadi Portugal.

Cristina Mesquita lidera, há dois anos, a Euromadi, central de negociação e serviços que conta com 28 empresas associadas e agrega 41 cash & carry e mais de 2000 lojas de comércio de proximidade. Na bagagem trazia mais de 20 anos na multinacional Henkel, que incluíam duas experiências internacionais, em Espanha e no Brasil.

 

A ler na Web

 

O nosso top 

. Os primeiros três meses do ano não correram mal a Ana Botín. Os resultados do Santander no 1.º trimestre deste ano atingiram os 1608 milhões de euros. O banco tem mais de 190 mil colaboradores e quase 11 mil balcões nos 10 países em que opera e foi nos Estados Unidos e no Brasil onde mais faturou nos primeiros três meses deste ano. Mas nem tudo são rosas. De parte estão 530 milhões de euros para fazer face aos custos de reestruturação, leia-se despedimentos e encerramentos de balcões, previstos para Portugal, Espanha e Reino Unido, onde o banco espanhol está a tentar reajustar a estrutura aos novos tempos. Uma boa notícia para Portugal é o facto de o português António Simões, que desde o ano passado lidera os negócios do grupo na Europa, ter sido apontado esta semana como o novo CEO para Espanha, passando a acumular os dois cargos.

. Afinal o “old boys club” não é uma fantasia. Segundo um estudo da Universidade de Harvard, os homens são promovidos mais rapidamente do que as mulheres quando o chefe é um homem, mas quando a liderança é feminina essa diferença desaparece. Ao ler o artigo da Forbes, que faz uma interessante análise do estudo, recuámos a uma conversa em que uma executiva nos dizia que o simples facto de o filho estagiário jogar futebol todas as semanas com o chefe lhe dava a oportunidade de este o conhecer muito melhor do que se apenas se cruzassem no escritório… É este género de  situações que o estudo identifica. Ler este artigo vai dar-lhe umas luzes sobre o que fazer para entrar no “Clube do Bolinha”.

Para conseguir ter mais notícias de mulheres, é preciso ter mais mulheres a fazer as notícias. O relatório “Missing Perspectives: How women are left out of the news”, realizado em 2020, aponta dois factos preocupantes: 1) a cobertura de questões de igualdade de género representou menos de 1% de todas as notícias publicadas na Índia, Reino Unido e Estados Unidos; 2) nas últimas décadas as histórias sobre mulheres estão sub-representadas em comparação com as dos homens, numa proporção de um para cinco; 3) em temas como a Economia, por exemplo, o palco dado aos especialistas homens é 30 vezes superior ao que é dado às mulheres. Para mudar esta realidade é preciso que haja mais mulheres nos órgãos de liderança da comunicação social onde se decide o que é notícia, que pessoas devem ser entrevistadas e como devem as histórias ser contadas. Quando as mulheres são vistas e noticiadas de forma a refletir com rigor o seu papel na sociedade, isso muda a percepção do público.

. A vingança serve-se fria. Foi o que fez Ursula von der Leyen no passado dia 26 de abril, quando discursou no Parlamento Europeu. Segundo conta o Le Monde, depois do lamentável incidente do Sofagate, em que Ursula se viu sem uma cadeira para se sentar ao mesmo nível que o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, numa reunião a três, 20 dias depois, as palavras foram duras. “Sou a primeira mulher a presidir à Comissão Europeia. Sou presidente da Comissão. E esperava ser tratada como tal quando fui à Turquia há duas semanas. Mas não fui, e aconteceu porque sou mulher. Isso teria acontecido se eu estivesse de fato e gravata? Nas fotos de reuniões anteriores nunca vi falta de cadeiras. As imagens podem ter ofendido muitas mulheres”, disse, deitando por terra as desculpas esfarrapadas que Charles Michel tentara dar poucos minutos antes.

. Este ano o Oscar foi para a… diversidade e inclusão! Há quem não aprecie a pressão que tem incidido sobre a cerimónia dos Óscares nos últimos anos devido à falta de diversidade, a vários níveis, mas lentamente ela está a dar frutos. Este ano fica para a história: as mulheres ganharam um recorde de 17 Óscares. A sul-coreana Youn Yuh-jung arrecadou o prémio de melhor atriz secundária, o britânico negro Daniel Kaluuya o de melhor ator secundário, a chinesa Chloé Zhao o de melhor realizador e Mia Neal e Jamika Wilson foram as primeiras afro-americanas a levar a estatueta dourada para a melhor caracterização.

. Em fevereiro deste ano, um painel de selecção nomeou Seiko Hashimoto, ministra japonesa para a igualdade de género e sete vezes atleta olímpica, como sucessora de Yoshiro Mori, que se viu forçado a demitir-se na sequência de comentários sexistas. Desde que ela assumiu o comando, o Conselho Executivo, liderada por Mikako Kotani, a primeira mulher porta-bandeira olímpica do Japão, passou a incluir 12 mulheres, elevando a representação feminina acima da meta de 40%. Agora, em entrevista à Bloomberg, Mikako Kotani afirma que o comité de Tóquio vai pedir aos patrocinadores empresariais dos Jogos que começam em 23 de julho que definam as  suas próprias metas de igualdade e inclusão. Os patrocinadores das próximas Olimpíadas incluem algumas das maiores empresas do Japão, como Toyota, Nomura Holdings, Fujitsu, NEC Corp. e Canon. No índice de disparidade de gênero do Fórum Económico Mundial, divulgado em março, o Japão ficou em 120º lugar entre 156 países.

 

Destemida Taylor

Taylor Swift   quebrou um recorde que estava há 50 anos nas mãos dos Beatles. Com a reedição do álbum “Fearless”, que fora editado em 2008, a cantora norte-americana conseguiu colocar três álbuns em n.º 1 no top de vendas do Reino Unido em apenas 259 dias. “Fearless” (versão de Taylor), apresentado a 9 de abril de 2021, seguiu-se aos lançamentos de “Evermore”, em dezembro, e “Folklore”, em julho de 2020. O anterior recorde era de 364 dias, e fora conseguido em 1965 e 1966, quando os Beatles lideraram o top de vendas inglês com os álbuns “Help!”, “Rubber Soul” e “Revolver”.

 

Work hard, play hard!

O YOUTUBER A SEGUIR

Jaime Altozano analisa Rosalía

Não podemos ser mais fãs do músico, compositor e produtor musical Jaime Altozano. Ele faz vídeos no You tube, em que explica teoria musical, analisa bandas sonoras e comenta notícias musicais, de forma simples e divertida, como quando desmonta a verdade sobre a música pop. Mas quando Jaime Altozano analisa a música de Rosalía, só podemos recomendar aqui às nossas leitoras. A jovem cantora espanhola que ganhou reconhecimento mundial pela reinterpretação de música flamenca, lançou em 2018, “El mal querer”, disco experimental acerca de um relacionamento tóxico inspirado no romance occitânico anónimo do século XIV Flamenca. Com a ajuda de Altozano percebemos porque gostamos tanto de “ Malamente” e “ Pienso em tu mirá”, cujos vídeos se tornaram virais: a genialidade do trabalho dos coros, da melodia, das técnicas de produção e da mistura de géneros que fazem deste disco “um álbum brilhante e excecional”. Veja a análise da música de Rosalia aqui.

 

A RECEITA ITALIANA

Spaghetti con vongole

“Hi lovely people! Why am I cooking so good!” Quem não conhece Gennaro Contaldo, o lendário cozinheiro que ensinou Jamie Oliver tudo o que sabe sobre cozinha italiana?!  Como sugestão para este fim de semana trazemos-lhe spaghetti con vongole. Alho, chili, montes de salsa, um pouco de vinho (“the wine you drink is the wine you cook”, já sabe) e um pedaço de tomates cereja. Tão simples, tão bom! Nhami! Veja a receita aqui.

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