Oito anos

Há exatamente oito anos, sentava-me num balcão “empresa na hora” para criar a minha. Nesse momento, recebi do outro lado da mesa um discurso completamente desmotivador – se eu tinha a certeza do que estava a fazer, se sabia os impostos que ia ter de pagar, que já tinha visto muita gente a desgraçar-se. “Porque corre mais vezes mal do que bem.”

Se este discurso me pareceu altamente inoportuno na altura, a realidade é que a estatística estava do lado de quem me atendeu: cerca de 50 % das empresas em nome individual fecham nos primeiros dois anos, de acordo com os dados da Pordata para 2019. À medida que aumenta o tamanho das organizações, desce drasticamente este número.

Por isso, manter um negócio pequeno pode ser visto como uma vitória ainda maior do que fazer parte de uma grande sociedade com muitos intervenientes, que se entreajudam e se protegem.

Olhando para trás, eu tinha o projeto bem definido e concretizado, mas não fazia a mínima ideia do que me iria acontecer nestes oito anos. Tinha em mim a certeza de que ninguém me viria salvar. Estava sozinha.

A verdade é que tive de recomeçar algumas vezes, de deixar cair parcerias, de sobreviver a pandemias. Mas, se momentos houve em que a dificuldade me assustava e desistir parecia o mais fácil, nunca me arrependi porque sabia que as decisões tinham sido tomadas tendo por base os meus valores.

De cada vez que me via sem chão, e me aguentava no vácuo, renovei-me.

E se, em 2013, comecei com uma parceria que já nem existe, hoje são quase duas dezenas em áreas diferentes.

Vou com a corrente, mantendo o que me move — a minha marca e o meu nome. E, mais uma vez, a maior riqueza que é a de seguir um caminho e convicções que são meus. Mais do que o fim, é o percurso.

Ninguém nos vem salvar. Mas não faz mal.

É libertador sermos protagonistas da nossa história.

Venham mais oito ou oitenta. Estes estão feitos.

 

Inês Brandão é fundadora e Global Business Manager da Frenpolymer. Leia mais artigos da autora aqui

 

Parceiros Premium
Parceiros