O Valentim da Valentona

É um dia como o de tantas outras Valentinas o desta Valentona que se faz de valente ao pé do seu Valentim. Trocou as rosas por dois pares de botas da Zara nos saldos de janeiro e neste dia de fevereiro prepara-se para colher o que semeou no dezembro em que começaram a namorar. Já lá vão 20 anos de valentia, as artérias do coração do Valentim entupidas pelo escárnio da sua Valentina, solidificado desdém por ursinhos fofinhos, cartas de amor e restaurantes pejados de pombinhos domesticados. Romântico seria se o seu Valentim conseguisse ver para além da valentia de uma Valentina que secretamente espera por um gesto de amor neste dia 14. Tal como esperou, em vão, por um presente de natal no 25 de dezembro, depois de convencer o seu ai Jesus que o Natal é das crianças e que tinham de poupar para um valente IMI. Todos os Valentins têm obrigação de saber o que querem estas Valentinas armadas em Valentonas, o que dizem no que não dizem ou o que não dizem mesmo que o digam valentemente. Todas as Valentinas, mesmo as armadas em Valentonas, querem ser surpreendidas pelo seu Valentim. Isso e um par de botas.