O “tudo ou nada”

– Mãe, e vocês o que andaram a fazer?

A pergunta chegou na sequência do interrogatório da praxe feito às crianças depois de uma noite em casa dos primos.

– Fomos ao cinema, jantar fora e depois viemos para casa.

A reação dela à minha resposta foi em muito semelhante à da minha cunhada quando soube dos nossos planos para aquela noite.

– Só isso. Mais nada?

Mais nada. O cinema e o jantar, uma espécie de sinais exteriores de diversão, porque o nada de uma sessão contínua de Netflix teria sido tudo para mim. Sem o Frozen como ruído de fundo ou as pausas regulamentares para brincar. Para jantar, uma tosta mista sem o mínimo valor nutritivo.

Sopa na sopa, mas o caldo lá se entornou. Passadas umas horas, o tudo transforma-se em nada, o nada num vazio cheio de saudade, mais ruidosa do que uma briga entre irmãos. Porque estes nadas só são tudo quando são tão passageiros como aquelas nuvens carregadas de chuva que refrescam uma vida de sol e céu azul.

– Mais nada?

Volto a ouvir a minha cunhada perguntar.

– Não, obrigada. De nada é tudo por agora.