O meu direito à birra

Só agora, passados dois dias, consigo falar deste assunto. Falo ainda amuada. Estou zangada com elas, as cinco crianças ingratas e irresponsáveis a quem eu, no dia 1 de Junho, confiei umas gerigonças para fazer bolas de sabão gigantes (basicamente, dois tubos de plástico como uma cinta no meio). Estas cinco crianças tinham tudo para fazerem magia (ok, tudo menos talvez a quantidade de detergente suficiente). Um fim de tarde quente, espaço ao ar livre (ok, talvez um pouco de vento a mais). Por isso não percebo por que é que 10 tubos de plástico a mergulhar numa única bacia com pouquíssima espuma se transformou num abrir e fechar de olhos (e num abrir e fechar de goelas) num tsunami com as mais variadas réplicas – coisa tão infantis como birras, empurrões, roupas encharcadas e dedos quase partidos. Para não falar nos berros dos adultos escandalizados com tanta imaturidade. Inclusive eu, que esta coisa de dar sem receber nem que seja um sorriso em troca é demasiado nobre para mim. É que naquela coisa de ‘celebrar a criança que há em nós’, que gostamos de apregoar nas redes sociais nestas ocasiões, tem de haver espaço também para as birras. E esta é a minha. Aguentem-se…