O Inevitável tinto

Produzido pela Casa de Santa Vitória, do Grupo Vila Galé, é um vinho para acompanhar os sabores da carne

Bernardo Cabral de Almeida e Patrícia Peixoto, os enólogos da Casa de Santa Vitória.

Bernardo Cabral de Almeida e Patrícia Peixoto, os enólogos da Casa de Santa Vitória.

O local foi Hotel Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, edificado a partir do Palácio dos Arcos, construído no século XV. O rei D. Manuel I usava-o como base para caçadas no seu couto, e diz-se que de lá viu partir naus e caravelas portuguesas à descoberta do caminho marítimo para a Índia.

A vista das suas salas e jardins para o rio Tejo não desmente isso. No renovado interior, daquela que foi a primeira unidade de cinco estrelas do Grupo Vila Galé em Portugal, o visitante depara, a cada passo, com a poesia de Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Eugénio de Andrade e tantos outros, reproduzida nas paredes. É, afinal, o tema dominante do renascimento do Palácio e vale a pena parar para lê-la.

Francisco Ferreira, o chefe de cozinha do restaurante Inevitável do Hotel Vila Galé Collection Palácio dos Arcos

A entrada faz-se pelo edifício apalaçado, onde se encontra a recepção. Logo a seguir fica o bar Pessoa Lounge, ladeado pela biblioteca, vinoteca e pelo restaurante Inevitável, cuja cozinha é coordenada por Francisco Ferreira. Foi lá que saboreámos, numa noite destas, um menu com os vinhos da Casa de Santa Vitória, empresa do Grupo Vila Galé. Composto por quatro pratos que acompanharam um branco e três tintos, dois quais se salientou o Santa Vitória Grande Reserva Branco 2012, um vinho com boa estrutura, equilibrada com a frescura, e um aroma onde se salientam as notas tropicais e de frutos secos da madeira. Foi boa companhia para uns filetes de polvo, tenros e crocantes, com mousse de espinafres e tomate cereja assado. Também apreciei, em particular, as bochechas de porco em vinho tinto com xerém de tomilho limão e espargos verdes na companhia da mais recente colheita do topo de gama tinto da Casa de Santa Vitória, o Inevitável de 2013. Tal como as restantes colheitas, de 2004, 2005, 2007, 2008, revelou potencial de guarda e uma evolução positiva, em vinhos que podem ser bebidos agora, desde que servidos entre os 17 e 18ºC no copo, ou guardados por mais alguns anos. São apenas produzidos em anos especiais, com base nas uvas das duas melhores castas tintas desse ano.

Inevitável 2013

DSC04556Produzido com uvas das castas Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, é um tinto onde se salientam as notas aromáticas de pimento verde, frutos do bosque, madeira e tabaco. Com bom volume de boca e estrutura, tem um ataque com notas de pimento verde e um final longo com notas de fruta madura a lembrar ameixa preta, frutos do bosque e cacau. É um vinho para apreciar agora ou guardar durante vários anos. Junte-o a pratos de carne branca ou vermelha, grelhados no carvão ou assados no forno, por exemplo, e não se vai arrepender. Sirva-o entre os 17 e 18 ºC no copo. (17/20)