O chefe é menino

– Mãe, que engraçado, achava que o teu chefe era um menino.

– Então, porque é que pensavas isso?

– Não sei, quando não conheço, imagino as coisas e imaginei que o teu chefe era menino.

– E porque não imaginaste que era menina?

– Porque há mais chefes meninos do que meninas.

Não é novidade para ninguém. Mas a realidade torna-se mais dura perante a naturalidade com que é enunciada pela minha filha. Com apenas cinco anos, ela já sabe que o menino que senta ao lado dela na sala de aula tem mais probabilidades de se vir a sentar na direção executiva de uma empresa (se bem que nesta idade tenha mais probabilidades de ser chamado ao conselho diretivo da escola). Ainda me esforço por dar uma de Pedro Chagas Freitas, dizer-lhe que siga os seus sonhos sem medo dos estilhaços do telhado de vidro, mas prefiro seguir o raciocínio lógico da miúda.

–  Querido, que engraçado, achava que eras tu que pagavas os livros escolares.

– Então porque achavas isso?

– Não sei, imaginei que eras tu a pagar.

– E porque imaginaste tu isso?

– Porque os homens continuam a ganhar mais do que as mulheres.

A cara dele diz-me que é melhor desconversar… Pedro Chagas Freitas, estás aí?