Não ter um Tostão! A Economia do Dinheiro Invisível

A revolução digital revelou-nos que a mais relevante e preciosa variável dos nossos dias é o tempo e o que fazemos com ele. Se a revolução industrial nos ensinou que o dinheiro e a riqueza constituíam o fio condutor da vida de qualquer pessoa, a verdade é que nos dias de hoje, o tempo assumiu um protagonismo único, estando associado inequivocamente à qualidade de vida. Ora porque o mundo digital nos permite “estar” em vários lugares e interagir em vários domínios, ora porque o dinheiro tem tendência a deixar de ser material.

A formidável contribuição da tecnologia digital remete-nos para um marketing cada vez mais assente na experiência e menos na transacção. A curto prazo, o nosso telefone encarregar-se- á de ser o meio de pagamento das nossas compras, sem que se veja a tangibilidade de qualquer transacção.

Começou com os cartões de débito e crédito, ATM, passou por inovações como a Via Verde, E-commerce, Mobile Marketing, avançou para plataformas digitais de acesso a quase tudo (Amazon, Uber, Air BnB, Booking, etc..) e hoje vemos as grandes empresas de base tecnológica a investir biliões na desmaterialização do dinheiro.

Quer isto dizer que vamos passar a andar na rua sem dinheiro? Provavelmente, sim!

Haverá menos roubos de carteiras, menos gorjetas, menos donativos de rua. Haverá mais propensão ao consumo (não se conta o dinheiro que não se vê e consequentemente a dor inerente ao acto de pagamento) e mais informação partilhada voluntarimente (onde estivemos, o que gastámos e onde o fizemos). Assim, o dinheiro passará a ser invisível, para que nós nos possamos tornar “visíveis” a todo o momento.

Nas economias menos desenvolvidas, não houve lugar a etapas intermédias no processo (ex cartão de crédito ou débito) passando-se directamente do pagamento em numerário para o pagamento via mobile, o que significa a fácil adesão de qualquer economia a esta realidade. Na China, por exemplo, já é pouco comum utilizar dinheiro. O telemóvel é a resposta para quase 60% da população no que diz respeito às compras. Também na Índia o comércio de rua tem conhecido um grande incremento a nível de pagamento por via digital. Os países escandinavos prepararam-se para deixar de recorrer a pagamento a numerário.

Os novos serviços financeiros móveis terão a palavra, onde se destacam a Ant Finantial, que tem um valor estimado de 60 mil milhões de dólares, ou a Lufax, que é a que mais tem crescido no mercado Peer to Peer (P2P).

A 4.ª Revolução Industrial projectada para 2025 prevê que 90% das pessoas terão armazenagem ilimitada e gratuita e que 10% do PIB mundial será armazenado em tecnologia Blockchain, que é o modus operandi onde se registam este tipo de transacções digitais, com o objectivo de garantir sua autenticidade e total integridade.

Diversos estudos provaram que o pagamento através de meios digitais aumenta a propensão para a compra, da mesma forma que os cartões de débito e crédito o fizeram relativamente ao pagamento em numerário, com um impacto suplementar de 20 a 25% de gastos.

Se pagar uma viagem, comprar um bilhete para o futebol ou um livro através do telefone pode ser sentido como uma compra pensada, já o pagamento do café, do jornal, do estacionamento automóvel ou do gelado na praia constituem actos rotineiros e de impulso. Não havendo desembolso de numerário, é mais fácil gastar dinheiro e perder o seu controlo.

Em 2017, há cerca de 450 milhões de pessoas que fazem praticamente todos os seus pagamentos apenas via telemóvel. Da troca de bens aos anéis de prata, lingotes de ouro, passando pelas moedas e notas, eis-nos chegados ao mundo bip bip.

 

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Digital Gold, de Nathaniel Popper