Já não tenho vagas para 2045!

Ainda estávamos em julho já a minha filha me perguntava quando é que iríamos comprar o material escolar. Olhei para a piscina, ainda ponderei uns segundos de apneia para deixar de a ouvir, mas em vez disso, optei por lhe limitar radicalmente a liberdade de expressão. Estava proibida de falar em assuntos relacionados com atividades letivas até 1 de setembro. E aproveitei para esclarecer que o tema da sua festa de aniversário, a acontecer em abril, estava banido até fevereiro de 2020. A verdade é que funcionou e agora há toda uma calendarização de conversas em curso. Quando a semana passada marquei cabeleireiro para ela (e para o rato que por esta data deve habitar no emaranhado de nós capilares), começou logo a negociar o  comprimento da melena. Disse-lhe que só daríamos início à negociação oficial 24 horas antes do evento, diretriz que ela acatou surpreendentemente bem. Claro que logo a seguir pediu-me que enviasse um pedido por escrito à direção do agrupamento, para garantir que fica na mesma turma da melhor amiga no 5º ano. Como o problema só se coloca daqui a mais ou menos 300 dias, fui já  obrigada a desbloquear a agenda de junho de 2020. E, já que estamos nisto, quando é que será mais conveniente eu começar a pensar atirar-me do precipício? É já!