Geena Davis: as mulheres e o cinema

Geena Davies fez de primeira mulher presidente dos Estados Unidos na série para a televisão Commander in Chief, que em Portugal passou na SIC em 2006. Mas além de actriz de cinema, produtora e guionista, Geena Davies procura promover a igualdade de género no mundo do entretenimento. Em 200, criou o Geena Davis Institute on Gender in Media, que recentemente promoveu com a ONU Mulheres e a Rockefeller Foundation um estudo que analisa os papéis da mulher em filmes lançados nos dez principais mercados de cinema: Austrália, Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Japão, Rússia, Coreia do Sul, Estados Unidos e Reino Unido, bem como colaborações entre os Estados Unidos e o Reino Unido. O estudo foi conduzido por Stacy L. Smith e a sua equipa da Annenberg School for Communication and Journalism da University of Southern California.

O estudo Gender Bias Without Borders tem algumas conclusões interessantes. As mulheres representem metade da população mundial, mas nos filmes menos de um terço de todos os personagens com falas nos filmes são mulheres. Em números de um total de 5.799 de personagens com pelo menos uma fala ou nomeação 69.1% são homens e 30.9% mulheres. Nos filmes, quando as mulheres têm emprego ou profissão normalmente não ocupam lugares de poder e as mulheres representam menos de 15% dos empresários, políticos e funcionários de ciências, tecnologia, engenharia e/ou matemática. Olhando para quem faz os filmes concluiu-se que as mulheres eram apenas 7% dos realizadores, 19,7% dos guionistas e 22,7% dos produtores são mulheres.

Num vídeo na McKinsey Quaterly, Geena Davis reflecte sobre este estudo e um estado de coisas em que a vida imita a arte e em que a ficção é mais sexista que o real. Como diz nessa intervenção uma das conclusões mais preocupantes e que vem de estudos anteriores, a presença de mulheres no mundo da ficção é ainda mais baixa do que a que existe no mundo real. Nos filmes internacionais que estudamos, menos de 25 por cento dos actores eram do sexo feminino, as mulheres constituem 40 por cento da força de trabalho global. Os argumentos dos filmes também não conseguem reflectir o progresso lento mas constante de representação feminina em todas profissões. Apenas 14 por cento dos executivos de topo retratados nos filmes eram do sexo feminino, ao passo que as mulheres constituem 24 por cento dos quadros superiores a nível mundial. Apesar de as mulheres com 21 por cento das posições políticas globais, apenas 12 mulheres políticas foram mostrados, em comparação com 115 funcionários masculinos. Se os papéis das mulheres são constantemente unidimensionais, estereotipados, hipersexualizados, não tendo papéis de liderança, o que envia uma mensagem muito clara: mulheres e meninas não são tão importantes quanto os homens e os meninos. E isso tem um enorme impacto sobre as empresas e a sociedade”.

A ler:

Addressing Unconscious Bias

Geena Davis Institute on Gender in Media

Gender Bias Without Borders