FRENomenal

Era eu uma jovem recém-licenciada a estagiar na Alemanha, onde me sentia só e cheia de saudades de casa, quando (re)comecei a escrever. Era a primeira vez a viver fora do meu país, longe da minha família e amigos e, ainda por cima, com um namorado recente que tinha deixado a viver com amigos na cidade mais fabulosa do Mundo — o Porto.

Há mais de vinte anos não havia Netflix, canais streaming, redes sociais, YouTube, os telemóveis não tinham internet, sabe Deus SMS, lia revistas portuguesas, mas que me chegavam por correio, e na televisão só havia programas em alemão, língua que eu não falava.

Comecei a escrever para os amigos e família. Enviava um e-mail com o resumo da semana, com as minhas principais aventuras e recebia algumas respostas. Das aulas de alemão com o meu colega turco, o Mr. Tupeski, que tinha uma dificuldade cómica com a língua germânica, até à vez em que me perdi na autoestrada, entrei na direção errada, não conseguia voltar, entrei em pânico e não tinha Google maps para me ajudar, passando pelas aventuras das visitas de amigos e família aos fins de semana e dos meus colegas de trabalho, foram umas semanas recheadas de histórias. Olho para trás e já aí eu teria um blogue. Teria sido inovadora se tivesse aproveitado a necessidade e o engenho para fazer uma plataforma para que outros, como eu, pudessem fazer as suas partilhas escritas. Mas não era assim tão visionária!

Quando fui mãe, sendo a primeira de todos os meus amigos a ter um filho, senti necessidade de criar um blogue, na altura já existiam, no qual pudesse partilhar algumas situações do dia a dia e que me ajudaram numa altura em que a minha realidade maternal estava tão solitária. O blogue foi escalando e sei que era lida por muita gente. Fiz amigas que passaram detrás do ecrã para a frente dos olhos e para o outro lado da mesa, e que até hoje são parte integrante da minha vida. Foi também aí que comecei a usar como nome uma alcunha que me acompanhava já há muitos anos – Frenética.

Eventualmente, o babyblog acabou, até porque os meus filhos deixaram de ser “babies” e passei algumas das minhas escritas para o perfil do Facebook. Tenho feito dessa plataforma o meu blog. Hoje com mais opiniões, histórias profissionais e curiosidades pessoais, sempre como base o frenesim natural da minha vida que passou até para o nome da minha empresa.

Escrever sempre me fez companhia, ajudou a organizar ideias, orientar pensamentos e gerir emoções. O que eu já relatei em aviões, salas de espera, aeroportos, quartos de hotel, mentalmente a conduzir! Sempre o fiz mais por mim. Mas chegar a pessoas, ter uma reação ao que escrevo, também é muito bom. Por isso, quando recebi o convite da Executiva para ter um blogue associado à publicação, que sigo e admiro há bastante tempo, senti-me muito honrada.

Os bloguess continuam a ser uma fonte relevante de partilha de conhecimento e são considerados a quinta fonte mais fidedigna de informação. Todos os meses, mais de 400 milhões de pessoas visitam 20 mil milhões de páginas e 70 milhões de posts são publicados mensalmente só no motor WordPress. Além de se terem especializados por temas – como viagens, alimentação, opinião política – também se tornaram indispensáveis para que as empresas mantenham a relação e a comunicação com o cliente. As empresas que partilham blogues têm 97% mais links para os seus websites e 79% do top 100 das companhias listadas na Fortune 500 usam os blogues para influenciar o seu mercado. A cooperação entre bloggers e empresas tornou-se uma prática comum, especialmente em sectores como os Media, a Moda e até a Educação. Vemos isso a acontecer na maioria dos jornais digitais, em sites de escolas internacionais e pela mão das influenciadoras digitais.

Nos blogues o conteúdo é essencial e quanto mais discussão e partilha, maior impacto nos motores de busca e, deste modo, mais reconhecimento terá a marca que promovem. E é esta a importância que os bloggers têm – não precisam de se cingir a factos, como os jornalistas que escrevem para as mesmas publicações, mas sim partilhar a sua opinião e experiência. No entanto, está provado que o seu sucesso depende diretamente da paixão, tempo (um post pode demorar em média 3 horas a escrever), dedicação e credibilidade que o seu conteúdo manifestar. Se não forem autênticos, percebe-se, e poderá ter o efeito contrário ao pretendido. E é a isso que me comprometo, a escrever com paixão e sobre o que vivo e sinto. Sempre a um ritmo frenético, um fenómeno que já não consigo separar da minha pessoa e nome. Aliás, não saberia fazê-lo de outra forma.

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