Eu não sou tua mãe!

Não sou mãe da parteira, da enfermeira ou da pediatra. Não sou mãe da educadora ou da professora da ginástica. Não sou mãe da recepcionista do consultório que, já agora, tem idade para ser minha avó. Não sou mãe do senhor que conduz a carrinha da escola, porque, se fosse, certamente já lhe tinha dado um piparote pelos palavrões que chama às mães que se atravessam à sua frente na estrada. Nas festas das crianças é ‘Mãe da Madalena quero sumo’ para aqui e ‘Mãe da Madalena quero fazer cocó’ para ali e eu ando estafada com esta esta prole que não quero perfilhar. Sinto-me um pouco como o meu filho há uns tempos atrás, que me perguntou desesperado perante a moda de chamar tios e tias a este mundo e o outro: “Mãe, mas, afinal quem são as minhas verdadeiras tias?” E, querido, já agora, muito menos sou tua mãe, a não ser, claro, que queiras uma história bastante diferente das que te costumo contar antes de dormir. Sim, às vezes, também consigo ser filha da mãe…