Dia da Mãe, o rescaldo: a carta que as nossas mães nunca irão escrever

“Queridos filhos,

Escrevo esta carta para vos dizer que adorei o dia da mãe de ontem, o almoço com uns, o lanche com outros e houve ainda quem tivesse aparecido para jantar. Valeram-me os bombons em forma de coração para me aguentar até ao fim das celebrações. Hoje, quando acordei, até as lindas rosas estavam murchas, tal era o mar de loiça em cima da bancada da cozinha. A camisola dourada que recebi vai ter de esperar, a grande estreia vai para o avental que o meu neto me ofereceu  – tão novo e já tão inteligente o meu Joãozinho. Foi ele também quem me mostrou as fotos que tantos filhos da mãe partilharam no Facebook. As declarações públicas de amor, tão comoventes que as minhas lágrimas se juntaram em enxurrada ao fluxo da torneira enquanto eu partilhava em simultâneo os pratos com a máquina de lavar.

Hoje, depois de secar à mão todos os copos de pé alto que vocês, meus queridos filhos, sujaram nas dezenas de brindes que fizeram em minha homenagem, vou guardar os brinquedos que os meus netos não tiveram tempo de arrumar – tadinhos, já estavam com a birra de sono. E começa assim mais um Dia da Mãe, sem as flores, sem os bombons e sem os poemas.  Ainda que eu vá continuar a brindar aqui com a Dona Antónia novinha em folha. Tchim tchim.”