O desastre que se abateu sobre as mulheres

A não perder na Executiva

Luísa Ribeiro Lopes

Luisa Ribeiro Lopes é coordenadora-geral do Programa INCoDe.2030 e presidente do Conselho Diretivo do .PT.

Luisa Ribeiro Lopes é a nova coordenadora-geral do Programa INCoDe.2030, cargo que acumula com a presidência do Conselho Diretivo do .PT. Um dos seus principais objetivos é promover a igualdade de género com o objetivo de conquistar mais mulheres para o digital. Conheça o percurso e o que pensa este mulher que faz carreira na área tecnológica.

 

A ler na Web

 

O nosso top 

Como Brad Pitt e a avó filipina ajudaram esta executiva de Hollywood a engarrafar felicidade

Nascida numa cidade rural no sul das Filipinas, Cristina Patwa estava longe do glamour de Hollywood. Mas na década de 1980, as Filipinas atravessaram uma enorme agitação civil e quando a família foi ameaçada sob arma de fogo, os pais decidiram mudar-se abruptamente para os Estados Unidos, para um apartamento em Queens, Nova Iorque. “Fui de uma selva tropical para uma selva de cimento”, comenta.
Como a maioria das crianças imigrantes, estudou muito e aprendeu inglês a assistir a séries de televisão. Para se licenciar trabalhava como consultora na Deloitte. Depois mudou-se para Los Angeles, para fazer o MBA e conseguiu o seu primeiro emprego, trabalhando com produtos de consumo na Disney ABC. Aí conheceu o produtor de Hollywood John Fogelman, um dos proprietários da Agência William Morris. Há oito anos, saíram os dois da agência e, com outro amigo, fundaram uma estação de televisão e um estúdio chamado El Rey. Um dos projetos que ganharam consistia em ajudar Brad Pitt e Angelina Jolie a vender azeite através da sua empresa produtora de vinhos.
Em LA Cristina Patwa ouviu a sua voz interior e decidiu explorar a sua herança filipina e fazer chás com os sabores e receitas da infância. Lançaram o Enroot em 2019 e ganharam o prémio de Melhor Nova Bebida Orgânica de 2020 NEXTY Awards. Criados em parceria com a Fundação James Beard, os chás orgânicos da Enroot homenageiam a avó de Patwa, uma pequena agricultora e empreendedora de alimentos do sul das Filipinas que ensinou à sua neta uma importante lição de negócio. Beber o chá espumante de framboesa, menta e peônia branca ou manga, cúrcuma e gengibre leva-a de regresso à fazenda da avó e à felicidade que lá sentia. A avó Lola tem 95 anos, mora nas Filipinas e chorou quando a família lhe contou que a neta estava a fazer isso por ela. “Aprendi com a minha avó sobre negócios e agricultura, comunidade e sustentabilidade. Porém, mais importante, ela ensinou-me a ter confiança para ter orgulho de quem sou.”

 

Marina Granovskaia, a Dama de Ferro russa que fez de novo o Chelsea campeão europeu

Começou a trabalhar nas empresas petrolíferas de Abramovich, chegou ao Chelsea em 2003, foi subindo até diretora executiva. Saiba quem é Marina Granovskaia, diretora do clube e braço direito de Roman Abramovich, a “mulher mais poderosa da atualidade no futebol” para o The Times e leia o perfil em português no Observador.

 

As senhoras da Fortune

Saiu ontem a lista das 500 maiores empresas da América. O número de empresas da Fortune 500 que têm uma CEO mulher é um recorde histórico:41 empresas são lideradas por mulheres. Além disso, a empresa presidida por uma mulher que chegou mais alto no ranking é a n.º 4 da lista, a CVS Health, que tem Karen Lynch no comando. (O recorde era anteriormente detido pela GM, que, sob a liderança de Mary Barra, ocupava a 6.ª posição na lista das maiores empresas).
Mas este ano bate-se ainda outro recorde: pela primeira vez a Fortune 500inclui duas empresas dirigidas por mulheres negras: Roz Brewer, da Walgreens Boots Alliance (n.º 16) e Thasunda Brown Duckett, do TIAA (n.º 79). Antes, só uma mulher negra dirigiu um negócio da Fortune 500 de forma permanente: a ex-CEO da Xerox, Ursula Burns, que deixou o cargo em 2017.

 

Mais mulheres nos boards da banca é igual a menos fraudes

Um estudo da City University of London concluiu que os bancos que têm mais mulheres nos boards cometem menos fraudes. Barbara Casu, diretora do Centro de Investigação Bancária, e quatro colegas analisaram as multas aplicadas pelas autoridades norte-americanas a grandes bancos europeus desde a crise de 2008, e constataram que as instituições bancárias que têm mais mulheres na Administração enfrentaram multas mais baixas e menos frequentes por má conduta. Mais uma prova de que a igualdade de género não é apenas uma questão de direitos humanos, mas também de negócio, pois graças a ela os bancos analisados pouparam, em média, quase 8 mil milhões dólares em multas por ano.

 

Só uma em cada quatro pessoas com poder é mulher

Este é o título de um artigo no jornal espanhol Cinco Días a propósito da realidade em Espanha, onde as mulheres ocupam 25,8% dos cargos de liderança (incluindo Administração Pública, grandes empresas e meios de comunicação). Em Portugal, segundo o mesmo estudo realizado pela consultora Kreab, representam apenas 23,3%. Os únicos países que saem bem nesta fotografia são a Alemanha (44,1%), a Noruega (41,6%) e a Islândia (40,4%), uma vez que se considera que só acima de 40% de mulheres em cargos de liderança se pode falar numa presença equilibrada dos géneros. A média europeia é de 26,8%.

 

O desastre que se abateu sobre as mulheres

Muito se tem escrito sobre o impacto desproporcional das consequências negativas da pandemia da Covid-19 sobre as mulheres: em confinamento elas foram mais afetadas pela violência doméstica, pela carga de trabalho doméstico e pelo risco de desemprego, por exemplo. Mas este não é apenas mais um texto.
“Disaster patriarchy: how the pandemic has unleashed a war on women” é um artigo de opinião de Eve Ensler, dramaturga e activista que fundou o V-Day, um movimento global para eliminar a violência contra as mulheres e raparigas. Segundo ela, a Covid desencadeou o revés mais grave para a liberação das mulheres que assistiu em toda a sua vida, levando-a a afirmar que testemunhamos um surto de patriarcado de desastre.

Naomi Klein fala de “capitalismo de desastre”, quando os capitalistas usam um desastre para impor medidas que não poderiam cumprir em tempos normais, gerando mais lucro para si próprios. O patriarcado de desastre é um processo paralelo e complementar, durante o qual os homens exploram uma crise para reafirmar o controle e o domínio e rapidamente apagar os direitos das mulheres conquistados com tanta dificuldade.
Depois de explicar porque hesitou mas decidiu manter a palavra patriarcado, afirma que em todo o mundo, o patriarcado aproveitou ao máximo o vírus para retomar o poder — por um lado, aumentando o perigo e a violência para as mulheres e, por outro, intervindo como seu suposto controlador e protetor. Do Quénia, à França ou à Índia, a autora passou meses a entrevistar mulheres para perceber como estão a ser afectadas e o resultado é uma triste mas necessária viagem à  situação da mulher em todo o mundo. Um mundo em que 39,5% das mulheres indianas perderam o seu trabalho, em que 606 raparigas e 309 mulheres desapareceram no Peru entre 16 de março e 30 de junho do ano passado, em que os clientes americanos exigem que as empregadas  de mesa, que recebem salários baixíssimos, complementados pelas suas gorjetas, retirem a máscara para decidirem quanto deixar consoante a sua beleza, ou segundo estimativas da Unesco 11 milhões de meninas podem não regressar à escola depois da pandemia.

 

Uma livraria só com livros escritos por mulheres

. Que saibamos o conceito ainda não existe em Portugal, mas tem sido notícia no Brasil: a abertura de uma livraria que apenas vende livros escritos por mulheres. Com o sugestivo nome de Gato Sem Rabo, inspirado no romance Um Quarto que Seja Seu, de Virginia Wolf, na sua conta de Instagram deixa clara a sua missão: “é uma homenagem às mulheres que escrevem: animais estranhos e deslocados, que. desfalcadas de tempo, espaço e legitimidade, tiveram o atrevimento e a coragem de escrever — ou não encontraram outra saída senão essa”. A sua fundadora, Johanna Stein,tem apenas 30 anos, pouco ou nada sabe sobre o mercado editorial e diz que se sente muito mais próxima de um movimento pela leitura do que de um modelo de negócio de livraria.

 

Work hard, play hard!

MÚSICA PARA OS NOSSOS OUVIDOS

Tiny Desk Home Concerts

Os Tiny Desk Concerts surgiram em 2008, como concertos intimistas em que realmente se podia ouvir a música, sem o barulho da multidão. Durante a pandemia, a NPR Music apostou em Tiny Desk (Home) Concerts, convidando os artistas a gravar as suas performances virtuais em casa, e o site merece bem a visita, com concertos com novos rostos como a colombiana Karol G, ou artistas consagrados como a histórica e sempre inovadora Laurie Anderson. Aqui descobrimos muitos novos artistas. Recomendamos em particular Cande e Paulo, duo argentino constituído em 2017. Ouça aqui.

 

SUGESTÃO PARA DESCONFINAR

Branco fresquinho na companha de petiscos

É, para o editor de vinhos da Executiva, uma grande companhia para uma tarde petisqueira a seguir à praia este Coleção Privada DSF Riesling Branco 2019. José Miguel Dentinho conta: “Apreciei a sua companhia com queijo de Azeitão e presunto ibérico de entrada. Depois, com um ceviche de garoupa, pimento vermelho e amarelo, tártaro de novilho e atum bem partidinho com um toque de wasabi e molho de soja. Para terminar, umas migas de tomate com atum braseado. A nada se fez rogado. Sirva-o entre os 10 e os 12ºC.” Compre aqui.

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