Da síndrome do Génesis a Guernica

Sofremos da síndrome do Génesis em que um novo mundo se fez em sete dias. Mas só nas narrativas fundadoras e utópicas é que isso acontece. Construir qualquer coisa de novo talvez não seja assim tão fácil porque mesmo as descobertas acidentais têm por trás as tais 10 mil horas de que falava Malcolm Gladwell. Talvez as mudanças mais profundas se façam por anéis como no crescimento das árvores e menos pelo estalar de dedos por muito divino que pareça. Uma exposição “Piedad y terror em Picasso. El Camino a Guernica” mostra que a obra-prima Guernica, realizada por Pablo Picasso em 1937, não teria sido possível se o pintor não tivesse feito antes 180 obras que traçam uma “iconografia de agonia, perplexidade e horror”.

O quadro Guernica está exposto no Museu Reina Sofia, em Madrid.