Cooperação ou competição

Numa semana onde o grande assunto é o Mundial de Futebol, hoje venho falar-vos da competição Fórmula 1!

Convém explicar que são 10 equipas as que correm todos os anos, cada uma com dois pilotos. Normalmente, existe o primeiro e o segundo, sendo que este último serve como apoio a que o principal suba nas etapas. Sendo tão poucos os corredores, os egos são difíceis de gerir, e mesmo dentro da mesma marca, todos eles competem entre si. Até porque cada corrida vale pontos e é com base nesses pontos que, terminado o ano, se qualificam na lista.

Tendo terminado a temporada de 2022, gostaria de recordar uma das últimas corridas. Em Abu Dhabi, Max Verstappen (dos Paises Baixos), da Red Bull, era já o campeão de 2022. Tinha acumulado pontos suficientes para se distanciar de todos os outros, e o topo estava garantido. O que ficava por apurar era o segundo classificado, lugar para o qual estava bem qualificado o colega de equipa Sergio Perez.

Perez sempre operou como um excelente colega de equipa. Em 2021, ano em que Verstappen se sagrou campeão pela primeira vez no último minuto da última corrida, trabalhou para que a Red Bull ganhasse o campeonato: fechava a passagem dos concorrentes do holandês, deixou-o passar algumas vezes, ou seja, cooperou com o companheiro.

Nesta corrida, para chegar ao segundo lugar e assim trazer outra vitória para a marca, Perez tinha de ultrapassar Verstappen. O curioso de ver Formula 1 é que se ouvem todas as comunicações com os bastidores. Assim, ouvimos Perez pedir autorização para passar o colega. Da Red Bull veio a luz verde. Mas Verstappen disse que não. Não, não o ia deixar passar.

E Perez perdeu o lugar.

Leclerc, da Ferrari, terminou em segundo, com apenas mais 3 pontos.

Aqui, quem foi prejudicado não foi apenas o piloto. Foi toda uma equipa, as pessoas que nela trabalham, a marca.

E isto levou-me a questionar até que ponto os “heróis” que se protegem nas equipas, e não falo na Fórmula 1, se podem revelar prejudiciais. Se é bom ir em primeiro, ganhar a corrida, até que ponto a médio/longo prazo isso chegará.

Compensa mais ter um elemento vencedor, que corta a meta, mas pelo caminho não deixa os outros membros do grupo também crescer, ou uma equipa que se conhece, aprende os pontos fracos e fortes de cada um e, com isso, se fortalece?

Uma estrela que se coloca a si acima de qualquer coisa, da própria organização que representa, apenas revela que, na melhor oportunidade, a irá deixar. E, se for protegida, deixa uma equipa fragilizada, que dependia apenas dela para sobreviver.

É isso que queremos para as nossas empresas?

Competir para fora e cooperar para dentro. Talvez seja um bom mote a trabalhar em 2023.

 

Inês Brandão é fundadora e Global Business Manager da Frenpolymer. Leia mais artigos da autora aqui

Publicado a 02 Dezembro 2022

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