Amazon: na senda do infinito… e mais além!

Empresas como a Google, Amazon, YouTube ou Netflix, entre outras, têm ajudado a criar um “novo mundo”, que muitos intitulam revolução digital. O denominador comum entre elas consiste na capacidade em criar modelos de negócio assentes na lógica digital e virtual, sem lugar a produtos tangíveis. E todos sabemos os resultados impressionantes deste novo formato empresarial, que obrigou a grande maioria das empresas a adaptar-se e esta realidade e a incorporar nos seus modelos de comunicação (ex. redes sociais) ou distribuição (ex. e-commerce), alterando substancialmente a forma como todos compramos.

Vejamos o caso da Amazon, maior retalhista mundial online com vendas a superar os 100 mil milhões de dólares em 2015, conhecida por se ter especializado em vender “qualquer coisa debaixo do Sol”, através de um modelo de negócio assente na confiança e rapidez na entrega. Desde artigos electrónicos, a joalharia, roupa, pasta de dentes ou brócolos, a Amazon coloca no mercado cerca de 150 milhões de produtos em cerca 40 categorias.

Mas olhando para o mercado online, a Amazon constata que, cada vez mais, se trata de um negócio hipercompetitivo e de baixas margens, onde a grande atratividade é assente na enorme rotação de compra, fruto de ser pioneira e com uma marca altamente reputada. Nesta lógica, procurou diversificar-se para outros modelos de negócio mais rentáveis, em particular para o desenvolvimento de tecnologias (em produto e serviços) que, já hoje, explicam grande parte dos seus resultados, tendo conhecido um crescimento de vendas de 31% no fim do primeiro semestre de 2016 e atingido resultados de cerca de 900 milhões de dólares. Na verdade, dentro do seu atual portfolio de atividades, as duas melhores performances da Amazon provêm dos negócios Fulfilment e Web Services.

No caso do Fulfilment, a Amazon coloca-se no papel de distribuidor online de um vasto mercado B2B, colocando em prática a sua experiência, conhecimento e gestão dos canais de distribuição nacionais e internacionais, bem como o serviço ao cliente, aliados à rapidez e a confiança na entrega. A sua estratégia passa por investir claramente nesta área, propondo-se abrir mais e mais centros de armazenamento para poder responder às crescentes necessidades deste mercado.

A Amazon Web Services (AWS), lançada em 2006, consiste num conjunto de serviços online para websites ou aplicações cliente-servidor assente na sua cloud. Os dados demostram que nestas duas áreas de negócio a Amazon cresceu 58% no último semestre, com vendas de quase 3 mil milhões de dólares. Apesar de ainda representar apenas 10% da faturação total da empresa, já é responsável por 40% dos lucros e a tendência é crescer em importância e rentabilidade. Para que se tenha um pouco a ideia da dimensão destas novas áreas de negócio basta referir que 15% de todas as vendas online no Reino Unido já são realizadas via Amazon, mercado onde emprega mais de 15.000 pessoas.

Outras áreas de negócio com elevada rentabilidade são a Amazon Prime, Amazon Fresh e Amazon Vídeo, sendo a mais recente a Amazon Echo, um sistema de reconhecimento de voz que pode ser usado através do acesso online e fazer download de música.

Enquanto isso, e apesar da menor atratividade do negócio tradicional das vendas online, a verdade é que a Amazon se apresenta como um player cada vez mais forte, que abafa a restante concorrência (livrarias, lojas de música, etc…) por força das economias de escala que são insuperáveis.

A Amazon não está sozinha nesta lógica de diversificação, pois também a Apple procura diferenciar-se através da venda de relógios, televisão ou mesmo automóveis.

Parece que caminhamos para a aglutinação de vários mercados com poucas marcas, que dominarão grande parte do mercado de consumo e empresarial. Que pretendem estar onde não estão e querer tudo o que não têm. Que, tal como o Buzz Lightyear, pretendem alcançar o infinito….e mais além!

E porque a história das marcas nos ensina, com resultados claros, que o foco é crucial para criar sucesso, a grande questão de marketing que se coloca é de saber até que ponto “ter mais” não significa “ser menos”.

Livro Recomendado:
The Fourth Industrial Revolution, de Klaus Schwab