A idade do meio: entre os nossos filhos e os nossos pais

– Mãe, como consegues viver longe dos teus pais?
Alguém me dizia no outro dia que esta é a idade do meio, entre os filhos que ainda não são autónomos e os pais que em breve deixarão de o ser. Para baixo, já estamos habituados a fazê-lo, a proteger, a cuidar, mas para cima é um processo gradual aquele que nos leva de protegidos a protetores.
Lembro-me bem do dia em que deixei a casa dos meus pais para ir morar com o meu namorado. Sem o ritual do casamento para marcar a passagem, aproveitámos as férias para dar o passo. Chorei nesse dia. Por mim e por eles, os meus pais. Era o fim de um capítulo das nossas vidas e o princípio de outro. O bom filho à casa pode tornar, mas normalmente não o faz pelas melhores razões.
 Apesar de adulta, estava a fazer o que fazem os meus filhos quando me abraçam a dizer que vão viver na nossa casa para sempre. Porque até mesmo na idade do meio, quando cuidamos dos mais novos e começamos a ter cuidados com os mais velhos, mesmo quando a estes falta força e vitalidade física, eles serão eternamente os nossos pais, os nosso protetores. E quando nos esquecemos disso, quando caímos na tentação de os infantilizar, de os pôr ao nível das nossas crianças, é que ficamos verdadeiramente orfãos, e pior, em vida.
– Os meus pais vivem bem pertinho de mim.
Foi o que respondi ao meu filho. A seu tempo ele perceberá que o alcance destas minhas palavras vão muito além dos três quilómetros que atualmente nos separam da casa dos avós.