A empresarialização da sociedade

O culto da empresa, da gestão e do empreendedorismo serve de inspiração à organização das sociedades contemporâneas e o objectivo de Ricardo Fabrício, autor deste artigo académico, é “apresentar e discutir a racionalidade e a ideologia subjacente à actividade das empresas (ou empresarial) e à acção da gestão”. Há de facto uma espécie de empresarialização da sociedade e que leva muitas vezes a pensar o Estado a ser gerido como uma empresa. Mas como escreveu Francis Fukuyama em 2011, no Financial Times, “os gestores de empresas podem ser venerados mas a América não pode ser dirigida como uma empresa”.

Ricardo Fabrício cita Richard Déry que em 2000 escrevia que “já não há mais escolas, hospitais, teatros, mas sim organizações a gerir. Não há mais estudantes, doentes ou espectadores, mas antes clientes a satisfazer (…) Vivendo numa sociedade de organizações onde predomina a gestão, os nossos problemas de sociedade são, portanto, cada vez mais problemas de gestão”. Por sua vez Chanlat sublinhava que “sem sombra de dúvida, o gestor transformou-se numa das figuras centrais da sociedade contemporânea.”

Para Ricardo Fabrício as propostas de empresarialização da sociedade, tal como as ferramentas da gestão ou a essência dos discursos dos actores empresariais “encontram-se inscritas no alinhamento ideológico da gestão e do sistema económico dominante – o capitalismo, que advogam a supremacia dos sistemas de produção, a procura do lucro, a apologia do comércio livrem ou o proteccionismo como pecado, bem como a transacção incessante de produtos, serviços, informação e trabalho”.

Ricardo Fabrício é professor auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade da Madeira (UMa) e investigador do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações (ISEG/UTL), integrado na linha de investigação “Trabalho e Emprego”.

Artigo: A empresarialização da sociedade, de Ricardo Fabrício