A Bimby do desporto

O ginásio virtual está para o desporto assim como a Bimby está para a culinária. Descobri recentemente no YouTube um “ginásio” chamado Fitness Blender (a liquidificadora do fitness) onde é possível programar o tipo, a intensidade e a duração do treino. Vou até à garagem, coloco o iPad a jeito e sigo religiosamente a minha personal trainer. É verdade que Kelly não sai do lugar para me corrigir, mas nem o Paulo no Place ou a Catarina na Hut. Há anos que isso não acontece na maioria dos ginásios ditos modernos, desde que substituiram as coreografias espontâneas e divertidas do step e da aeróbica pelas aulas repetitivas e previsíveis dadas por autênticos robôs do fitness. Já vi vértebras de pessoas a vergarem no Body Pump, almas a abandonarem corpos nas aulas de RPM, enquanto o instrutor grita palavras de ordem ao microfone, sem nunca abandonar o palco. YES! YES! YES!

NO! A Kelly pode não sair do lugar mas não me grita aos ouvidos como estes cowboys musculados de camiseta machão (o nome que os brasileiros dão às t-shirts de alças). A Kelly está disponível sempre que eu preciso dela e o preço é sempre mesmo – zero euros – on e off peak, e até em Twin Peaks, caso tenha de viajar. E nem vos falo do agradável que é fazer os lunges de cuecas sem ter levar com as nádegas rosa choque da miss tatuagem da fila da frente. Estou rendida, não vale a pena virem-me com a conversa do social e do networking pois eu já vi os danos colaterais que uns corsários de lycra demasiado justos podem provocar à credibilidade de um CEO. É que, no que toca ao estilo, ao pé daqui da Olivia Palito, a Olivia Newton-John em “Physical” é uma autêntica Olivia Palermo. E não há Poppey que me salve.