A arte da magia e a inovação

Em 1999 Luís de Matos era não só um mágico estimado, uma espécie de David Copperfield português, no meio profissional da magia, como ainda é hoje, mas uma estrela candente do show-bizz nacional. Nessa altura, uma das suas digressões nacionais contou com o patrocínio da Sonae e Belmiro de Azevedo chegou a escrever um texto para o programa do espectáculo, em que acentuava a dimensão onírica da magia e dizia que “sonhar é fundamental para manter uma atitude aberta que torna tudo possível. É um ponto de partida necessário para todos nós. A partir daí temos de transformar sonhos em aspirações, aspirações em intenções e intenções em acções”. Nessa altura Luís de Matos fez 246 espectáculos, ao longo de seis meses, em 35 cidades portuguesas.

Jorge Blass é um mágico espanhol que ainda recentemente viu David Copperfield comprar-lhe os direitos de um truque das redes sociais para os Estados Unidos e que sem qualquer pretensão mostra o lado empreendedor da magia. Diz que o artista norte-americano podia ter feito um truque similar em vez de pagar direitos porque “as ideias não se podem patentear” mas preferiu “jogar limpo” até porque não se limitou a comprar a ideia mas todo o know-how de um truque já feito milhares de vezes e, portanto, escusa de repetir os erros que já foram cometidos. Ficou com um truque testado. Mas para chegar aqui, como diz Jorge Blass, “na magia, como em outro negócio, para se ter êxito é necessário inovar e, para isso, é preciso investir tempo e dinheiro”.

Jorge Blass diz numa entrevistar ao jornal El Mundo que “é falhando muito que se converte num profissional melhor”. Acrescenta que, no seu caso, o trabalho faz parte da vida, e como no aforismo, diz que quando se trabalha por gosto não custa. Mais: «só quando se gosta verdadeiramente do que se faz, se consegue ser o melhor».

Este mágico espanhol baseia os seus números nas novas tecnologias e tem truques em que recorre ao Facebook e ao Twitter. Refere que para a internacionalização são necessárias três coisas: saber línguas, sobretudo inglês, circular pelo mundo e fazer alguma coisa verdadeiramente diferente. Como diz o título da entrevista: o segredo do êxito está em fazer algo que não tenha sido feito antes.

El Mundo, 27/9/2015