5 minutos após a meia noite

Devem passar cinco minutos da meia noite do primeiro dia do ano e a minha filha já fala da sua festa de aniversário. Ainda eu mastigo o “bolo” de 12 passas e um leve sentimento nostálgico, o natal e mesmo o reveillon já passaram à história. E é ao ouvi-la dizer como tudo vai acontecer dali a cinco meses que eu vejo como é que tudo me aconteceu. Eu ainda não entrei em 2017 e ela está quase de saída. Preciso de me preparar, de entender quando é que o Espaço 1999 deixou de ser o futuro e como o Obama está quase a pertencer ao passado, de perceber quando é que a saúde passou a ser o primeiro, o segundo, o terceiro, o único desejo de ano novo. A minha filha conta os dias para a sua festa do Frozen e eu só quero congelar um bocadinho o tempo soalheiro que me entra coração adentro. Apetece-me explicar o significado da frase “a vida é o que acontece enquanto estamos ocupados a fazer outros planos”. Apetece-me dizer-lhe para parar e olhar para o fogo de artifício que durante alguns segundos vai encher o céu de cor e esperança. Mas depois também teria de lhe explicar sobre a doença, sobre Aleppo ou sobre Trump. Há coisas que prefiro que ela descubra por ela, a seu ritmo. Pronto, já passou. Vamos lá então planear essa festa de arromba.