2002 Portugal e a Guerra do Iraque

A ofensiva militar que os Estados Unidos preparavam para o Iraque começou a ser grande tema fracturante em termos políticos, sociais, culturais e religiosos, com o encontro entre Durão Barroso e George W. Bush, em 10 de setembro de 2002, no âmbito na ronda de consultas que os EUA então fizeram com líderes europeus por causa do conflito com o Iraque, e este facto “impôs-se definitivamente na agenda mediática portuguesa”. Jorge Sampaio, então Presidente da República, era contra o conflito armado no Iraque, sem a aprovação das Nações Unidas (ONU), assinalando que Portugal não devia afastar a sua atenção dos problemas internos. Devido à sua posição face à guerra no Iraque, foram apresentadas quatro moções de censura ao Governo, iniciativas do PS, PCP, Bloco de Esquerda (BE) e Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV).

Em 31 de janeiro de 2003, José María Aznar (Espanha), José Manuel Durão Barroso (Portugal), Silvio Berlusconi (Itália), Tony Blair (Reino Unido), Václav Havel (República Checa), Peter Medgyessy (Hungria), Leszek Miller (Polónia) e Anders Fogh Rasmussen (Dinamarca) assinam uma carta que é um apelo ao apoio da Europa aos EUA para o processo de  desarmamento do Iraque. Escrevem, na que ficou conhecida como Carta dos Oito ou Manifesto dos Oito, que “o nosso objectivo é salvaguardar a paz e a segurança mundial garantindo que esse regime renuncie às armas de destruição em massa. Os nossos governos têm uma responsabilidade comum de enfrentar essa ameaça. Não fazê-lo representaria uma negligência diante dos nossos cidadãos e do mundo em geral”.

A 16 de março de 2003 realizou-se na Base das Lajes, nos Açores, uma cimeira que contou com a presença do então presidente dos EUA, George W. Bush, do primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, do primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, e do primeiro-ministro português, Durão Barroso. Nessa altura foi lançado um ultimato a Saddam Hussein – o presidente iraquiano tinha 24 horas para se desarmar voluntariamente, caso contrário os EUA invadiriam o Iraque. Na conferência de imprensa do final do encontro, José Durão Barroso afirmou que a cimeira das Lajes oferecia “a última oportunidade para uma solução política”. O Presidente da República foi consultado por Durão Barroso e apoiou a realização da cimeira dos Açores, mas veio posteriormente a distanciar-se em relação ao caminho escolhido.

Quatro dias depois, a 20 de março de 2003, iniciou-se a intervenção militar norte-americana no Iraque com o nome de Operação Liberdade Iraquiana. Este conflito gerou uma grande controvérsia política mundial, uma vez que países como Alemanha e França não apoiaram esta decisão. Como disse mais tarde Durão Barroso, “em relação ao Iraque, antes de mais, a verdade é que esta questão nos dividiu na Europa, dividiu os países europeus, dividiu-nos dentro dos nossos países, dividiu até as famílias políticas aqui representadas”.

Portugal, ao contrário de outros países, não enviou militares para o Iraque antes de uma resolução das Nações Unidas que estabelecia as bases de administração do Iraque pós-Saddam Hussein. O primeiro contingente de 128 militares da GNR partiu de Lisboa a 12 de novembro de 2003 e chegou a Bassorá no dia seguinte, onde ficou alguns dias, antes de rumar a Nassiriyah.