2002 A ilusão de riqueza gerada pelo euro

Em Dezembro de 2002, após 13 meses em que as taxas de juro oficiais permaneceram inalteradas na área do euro, o Conselho do BCE decidiu baixá-las em 50 point basis. A taxa mínima aplicável às operações principais de refinanciamento passou para 2,75%, menos 2 pontos percentuais em relação ao verificado no final de 2000. Em Dezembro de 2002, a taxa Euribor a três meses situava-se em 2,9%, valor médio mensal, que comparava com 3,3% em Dezembro de 2001 e um máximo durante o ano de 3,5%, atingido em Maio.

O relatório do Banco de Portugal de 2002 voltava a referir a ilusão de riqueza gerada pelo euro e pelas quedas das taxas de juro e os custos que estava a induzir: “a participação de Portugal na área do euro induziu aumentos do consumo e do investimento durante os últimos anos, conduzindo a grandes desequilíbrios entre oferta e procura internas, que se têm reflectido no aumento do endividamento dos agentes económicos residentes, tornado sustentável devido à redução das taxas de juro. Esses desequilíbrios, que atingiram a expressão máxima em 2000, têm vindo a ser corrigidos. Para o sector privado, em especial para os particulares, o processo de ajustamento começou em meados de 2000, tendo-se acentuado em 2002. No que se refere ao sector público, só neste último ano é que se verificou uma alteração na orientação seguida, quando o ajustamento do sector privado e a deterioração da envolvente externa fizeram eclodir a crise orçamental e revelaram a natureza claramente desajustada da política orçamental no período 1997-2001. Sendo indiscutível que Portugal tem um nível de salários médios bastante inferior ao da generalidade dos países da área do euro, o único processo sustentável de aproximação aos níveis médios europeus é através do crescimento da produtividade”.