1991 O nascimento da AutoEuropa

Com a entrada de Portugal na CEE inicia-se um período de ouro do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) com especial incidência na indústria automóvel e de componentes automóveis. O investimento direto estrangeiro foi, em 1989, de 1440 milhões de dólares (227 milhões de contos) enquanto em 1988 fora de 750 milhões de dólares. Os fluxos líquidos de capitais associados ao investimento direto estrangeiro (valores preliminares) totalizaram, em 1991, 1881 milhões de dólares (2,7% do PIB) situando-se abaixo do realizado no ano anterior (2264 milhões de dólares, representando 3,8% do PIB). “A Autoeuropa, uma das soluções para a crise social na Península de Setúbal, anunciada em 1991, não chegou para acalmar a contestação social que fervilhava no resto do País. O investimento total até 2002 naquela infra-estrutura ascendeu a 342,6 milhões de euros, proporcionando emprego direto a cerca de três mil trabalhadores” escrevia o Semanário Económico a 10 de Março de 2006.

Em 1987, a Ford Motor escolhera a Península de Setúbal para instalar uma unidade de componentes eletrónicos, que é a actual Visteon. O investimento de (134 x 106 USD) foi o primeiro grande projeto co-financiado pelo FEDER, na região da OID de Setúbal. Nesta onda de investimento em Portugal surgiram também a Continental, Delco-Remy (GM), Samsung, Cofap (Brasil) e a Valmet (Finlândia). Foi nesta negociação para a instalação da Ford Electronics que o ICEP e o IAPMEI ficam a conhecer o projeto para uma nova fábrica de automóveis em joint-venture com a Volkswagen, a instalar na Península Ibérica numa réplica de um projeto semelhante instalado no Brasil, a Auto Latina.

Nessa altura, Portugal entrou nas negociações porque permitia a criação de uma fábrica de automóveis, um sonho que vinha dos anos 60 e que já levara a negociações com a Alfa Romeo, Renault. Nas conversações com o governo espanhol divergia-se na localização entre a Andaluzia e Valência. Mas como referiu Palma Féria, “foi o próprio promotor que se interessou pela localização em Palmela, em função da boa experiência colhida com a Ford Electronics P”. Em Maio de 1991, quando já estava quase tudo acordado entre Portugal e a Ford, o Governo espanhol tentou reiniciar o processo, o que não teve êxito e a 15 de Julho de 1991 foram assinados os contratos para a criação da Autoeuropa. Ainda houve tentativas de sedução por parte da Irlanda, mas o acordo manteve-se firme.

Em 23 de Novembro de 1990 foi confirmado, em Londres, pela Ford Europe e o governo português que o projeto Ford/Volkswagen (que viria a chamar-se Autoeuropa) seria implantado em Portugal. “Estivemos muito tempo calados, mas agora podemos divulgar que conseguimos uma vitória”, disse António Neto da Silva, então secretário de Estado do Comércio Externo. O terreno de 200 hectares em Palmela estava escolhido e sinalizado. E o projeto levava à criação de 5 mil postos de trabalho diretos e 10 mil indiretos.

A assinatura do contrato em Lisboa deu-se a 8 de Julho de 1991. O total do investimento anunciado era de 450 milhões de contos, o maior investimento estrangeiro em Portugal. A fábrica de automóveis Autoeuropa, em Palmela, foi inaugurada a 26 de Abril de 1995 por Cavaco Silva mas foi ensombrada pela denúncia do contrato feita pela marca francesa Renault a 17 de Abril de 1995 para despedimentos na sua unidade em Setúbal, que viria a ser encerrada. Mais tarde, a Ford vendeu a sua posição ao Grupo Volkswagen.