A fadiga do social media

É inegável e irreversível o movimento avassalador que o mundo digital provoca no nosso dia-a-dia, do ponto de vista pessoal e profissional. Os números não enganam: diariamente publicam-se 3,5 milhões de posts em blogues, o Google é pesquisado 5.740 milhões de vezes e registam-se quase 800 milhões de tweets.

A fadiga do  social mediaNo entanto, esta lógica de hipercomunicação está a começar a gerar um efeito perverso. A Buffer, empresa de referência no mundo do social media, assumiu que a sua própria estratégia, enquanto consultora que ajuda os seus clientes a serem eficazes na gestão do social media, não estava a produzir os melhores resultados, revelando lacunas importantes na eficácia da gestão do Facebook, Twitter ou Instagram. E foi a primeira vez que uma agência reconheceu essa questão com frontalidade e realismo.

Mais do que métricas (número de likes, shares, comentários) para inflacionar os egos, coloca-se a questão da eficácia da comunicação, que embora cada vez mais intensa, passou a ser completamente superficial.

Mais do que likes shares coloca-se a questão da eficácia da comunicação.

Estamos a atingir um ponto onde a produção de conteúdos irá intersectar com a nossa capacidade humana em consumi-los.

Um estudo recente da Buzzsumo analisou mais de 1 milhão de artigos e concluiu que a grande maioria não produz resultados eficazes, uma vez que 50% provocam 2 ou 3 interacções e que 75% não geram continuidade.

O consumidor começa a ignorar e a rejeitar grande parte das mensagens que lhe chegam. Deixa de subscrever newsletters, bloqueia anúncios, ignora tweets, apaga conteúdos irrelevantes.

Podemos ter milhares de utilizadores, seguidores e clientes. Mas quantos deles são verdadeiros fãs? Quantos lêem efectivamente cada artigo que colocamos?

O problema é que a retenção de clientes é crucial para o êxito do social media.

Não se trata de cansar o receptor com mais mensagens e conteúdos. O segredo passa por se ser certeiro, no tempo certo, com a intensidade certa e, sobretudo, com conteúdos relevantes.

Como diria David Ogilvy, “o consumidor não é idiota, é a nossa mulher”!

 

Livro Recomendado

O Contágio, O que torna as coisas populares à escala mundial? de Jonah Berger