Bárbara Garcia: O que aprendi a trabalhar fora de Portugal

Desde que saiu de Portugal em 2007, Bárbara Garcia estudou em Nova Iorque e trabalhou em Dublin, Londres e Miami. De volta a Portugal, há quase um ano, a Tax Director na PwC, partilha a sua experiência de trabalhar na mesma empresa mas em mercados diferentes.

Bárbara Garcia é Tax Director na PwC Portugal.

Licenciada em Direito, Bárbara Garcia saiu de Portugal em 2007, para acompanhar o namorado numa proposta profissional irrecusável.  O que poderia ter sido apenas uma “experiência internacional”, acabou por lhe proporcionar uma carreira e durar mais de uma década. Neste período, fez uma pós graduação em Auditoria, em Nova Iorque, começou a trabalhar na PwC, em Dublin, dois anos depois mudou-se para Londres e quando se cansou do “inverno contínuo”, abraçou o calor de Miami, sempre na PwC. Especialista em Preços de Transferência, em Londres trabalhou num dos melhores mercados nesta área e em Miami teve oportunidade de acompanhar grandes empresas americanas e a Reforma Fiscal americana, experiências que lhe dão uma sólida bagagem e que a irão certamente ajudar a desenvolver a área de Preços de Transferência em Portugal, onde é Tax Director.

Em cada país foi necessário adaptar-se a uma nova cultura e a diferentes formas de trabalho, e mesmo no regresso a Portugal, que aconteceu há quase um ano, não foi diferente. Bárbara Garcia regressou a casa para permitir que o filho de 4 anos crescesse junto da família alargada – avós, tios e primos -, mas depois de 12 anos fora, e apesar de ter trabalhado sempre na PwC, reconhece que por vezes ainda se sente um pouco estrangeira no seu país e na sua empresa. Mas teve boas surpresas, uma delas foi ter encontrado uma PwC em que cerca de metade dos sócios são mulheres. Apesar de reconhecer que a empresa há muito que está focada na inclusão e na igualdade de género, em nenhum dos outros países onde viveu a participação de mulheres em cargos de liderança era tão expressiva.

Quando foi para Nova Iorque já era sua intenção começar a carreira fora de Portugal ou foi um acaso?

Já tinha essa intenção, mas seria apenas uma “experiência internacional”. Dois anos no máximo era o meu objetivo e o do meu namorado (hoje marido). A oportunidade surgiu quando o meu namorado recebeu uma proposta de trabalho de um banco americano para fazer formação em Nova Iorque e depois integrar a equipa da sucursal do banco em Dublin, que abriria no ano seguinte. Eu iria acompanhá-lo (sem poder trabalhar por não ter visto) e depois arranjaria trabalho em Dublin.

Foi uma decisão muito difícil de tomar. Eu iria sem trabalho e ele iria sair de Portugal de onde nunca tinha saído antes a não ser em férias, para irmos viver para a “concrete jungle”. Mas depois de muito pensarmos decidimos que iria ser pelo menos uma “experiência”, mesmo que fosse dura. E foi dura, mas valeu tanto a pena! Essa decisão mudou o curso das nossas vidas – profissional e pessoalmente.

A entrevista com a PwC Dublin, que aconteceu dois dias depois de ter aterrado em Dublin e ainda a viver num modesto B&B, foi um dos episódios mais marcantes da minha vida profissional e da vida do sócio que me entrevistou.

Como aconteceu a sua entrada na PwC e o que a atraiu na sua proposta?

A passagem por Nova Iorque foi de apenas sete meses, conforme esperado, e aproveitei para fazer uma pós-graduação em auditoria na New York University. Foi o que havia de mais parecido com fiscalidade, e como tinha pouco tempo foi a única opção que se apresentou na altura. E foi uma opção fantástica, porque simplesmente amei ser estudante em Nova Iorque. Estudar na biblioteca da NYU, em Washington Square, com o meu Starbucks Venti latte (uma novidade para mim na altura), fazer pesquisas na New York Public Library (onde a Carrie Bradshaw se ia casar no filme do Sex and the City! Aliás vi as filmagens a acontecer!) e ter aulas de fraude financeira no Reuters Building, em Times Square, são memórias que ficarão para sempre.

De malas feitas para Dublin e ainda sem sequer ter aterrado na cidade, já tinha entrevista marcada com a PwC Dublin. Fiz a minha pesquisa e descobri (sem Linkedin na altura) que estavam à procura de alguém para a área de Preços de Transferência – a minha atual área de fiscalidade – e tendo eu feito uma pós graduação na área achei que seria um bom “fit”. Além disso, a PwC era, e é, a maior das Big 4s na Irlanda e era a única a desenvolver esta prática na altura (hoje em dia tem a maior equipa do país).

A entrevista com a PwC Dublin, que aconteceu dois dias depois de ter aterrado em Dublin e ainda estar a viver num modesto B&B, foi um dos episódios mais marcantes da minha vida profissional e da vida do sócio que me entrevistou, que ainda há uns meses, quando nos encontrámos em Washington na Conferência Global de Preços de Transferência, ele contou à frente de todos os presentes.

Ora, contrariamente a outras entrevistas que eu tinha tido no passado, para esta enviaram-me um case study para eu ler, identificar as oportunidades de trabalho e discutir na entrevista com o sócio e mais dois diretores da equipa, em inglês, obviamente. Para contextualizar, eu tinha menos de três anos de experiência profissional e nunca tinha trabalhado em inglês, pelo que isto aterrizou-me! Assim decidi fazer o que melhor posso fazer em situações em que me sinto “fora de pé”: prepare, prepare, prepare!

O resultado foi uma apresentação em power point que incluía oportunidades não só relativas à minha área. Cheguei à entrevista de computador portátil na mão a pedir para fazer a apresentação. Resultado: ficaram boquiabertos, contrataram-me na hora e ainda hoje falam sobre isso.

Estudou em Nova Iorque e trabalhou em Dublin, Londres, Miami antes de regressar a Portugal. O que mais a marcou em cada um dessas experiências?

Em Nova Iorque o que mais me marcou foi a vida de estudante e sentir que estava a viver em pleno filme de Hollywood. Vivíamos em Manhattan, no Soho, num estúdio minúsculo cujo único eletrodoméstico era o frigorífico. Assim era normal, passar diariamente por “movie sets” – quase todos os filmes em Nova Iorque têm cenas filmadas no Soho – e ver os bombeiros serem aplaudidos quando saíam para combater incêndios (isto foi em 2007, o 11 de setembro não tinha sido assim há tanto tempo).

Em relação a Dublin, infelizmente não estivemos lá na melhor altura. Chegámos seis meses antes da Lehman Brothers cair e com ela levar a economia mundial, mas principalmente a dos Estados Unidos e da Irlanda, que vive da economia financeira americana. O banco do meu marido fechou as portas, pouco tempo depois de as abrir e ele viu-se obrigado a aceitar uma posição em Londres, também na banca. E eu segui-o novamente, mas tendo conseguido uma transferência dentro da PwC. Assim, de Dublin ficam memórias de um povo muito caloroso e divertido, e do edifício da PwC, que é o mais bonito em que trabalhei até hoje, todo em vidro em frente ao rio.

Em Londres adorei o meu trabalho – Londres é o centro da Europa na minha área – pelo que todos os meus projetos eram incrivelmente desafiantes e interessantes, com os maiores clientes e com todos os gurus técnicos, pelo que a minha aprendizagem e experiência dispararam.

Também gostei muito da comunidade portuguesa em Londres (penso que éramos a segunda maior minoria no Reino Unido) e o facto de conseguir comprar manteiga Mimosa num supermercado em que falavam português. Finalmente, adorei a cidade colossal que Londres é em termos de cultura, restauração e vida noturna. Estivemos lá 8 anos e acho que só fizemos 10% do que havia para fazer!

No entanto, o clima e a densidade populacional são diabólicos. O manto cinzento que cobre aquele céu dia após dia e os 13 milhões de habitantes que vivem na cidade tornam a vida cansativa. Pelo que quando pedi transferência para Miami, pouco depois de o meu filho nascer, foi um sentimento de “vou ter saudades, mas já está bom”, principalmente porque queria dar-lhe uma infância livre de gorros, luvas, galochas e chapéus de chuva.

Em Miami, onde vivemos os últimos dois anos antes de regressarmos a Portugal, foi fabuloso. A qualidade de vida é fantástica. O clima é quente, ou muito quente, durante o ano todo, o que para quem esteve 10 anos a viver num “inverno contínuo” é fenomenal. Os prédios são imensos e quase todos em regime de condomínio privado com mais do que uma piscina e vários espaços sociais para crianças e adultos. Vivia a 15 minutos a pé do escritório e a 15 minutos de carro de praias paradisíacas. Além disso, o misto de cultura americana e latina (muito mais latina que americana) é muito interessante. Continua a ser uma cidade cosmopolita e de grande dimensão mas o ritmo é muitíssimo diferente de Nova Iorque, por exemplo. A nível profissional, já não estava no centro de nenhuma região, nem sequer de nenhum país, pois só trabalhava com clientes na Florida e das Carolinas. No entanto, a dimensão de qualquer empresa americana com a qual trabalhava era superior a muitos grupos europeus com os quais trabalhei em Londres, pelo que os projetos mantinham-se interessantes e desafiantes. Para além disso, tive a sorte de lá estar na Reforma Fiscal do Estados Unidos, o que foi muito impactante na minha área e me deu muito para aprender.

Há uma expressão que ouvi de um europeu assim que cheguei a Nova Iorque, “while we work to live, americans live to work”, que é a mais pura verdade.

Apesar de ter trabalhado em três mercados distintos, fê-lo sempre ao serviço da mesma empresa. Ainda assim notou grandes diferenças de país para país ou a cultura da empresa consegue sobrepor-se?

Apesar de serem todos países anglo-saxónicos, pelo que há uma raiz idêntica que corre pela cultura da Irlanda, Inglaterra e Estados Unidos, os mercados onde trabalhei eram de facto muito distintos. Dublin e Londres são os que mais se assemelham em termos de hábitos e ética laboral. As pessoas trabalham bem, eficiente e eficazmente, falam pouco durante as horas de expediente, almoçam em frente ao computador mas também vão cedo para casa e para as suas famílias. Fazem questão de viajar muito e de tirar todas as férias a que têm direito durante o ano.

No entanto, Londres é uma cidade bastante maior e mais cosmopolita que Dublin, pelo que a dimensão dos projetos e clientes é muito diferente e com realidades bastante diversas. Dublin é um mercado mais local, Londres muito mais internacional. Aliás, quando comecei a trabalhar em Dublin, para além de alguns americanos, eu era a única estrangeira na área de fiscalidade da PwC Dublin (e penso que já na altura eram mais de mil pessoas). Em Londres, só na minha equipa de preços de transferência (dentro da área de fiscalidade), em 50 pessoas tínhamos 30 nacionalidades.

Miami, é um mundo diferente. A parte americana da cultura imprime um ritmo quase desconcertante no trabalho. Simplesmente, não há períodos mortos. As pessoas estão sempre “ligadas”, trabalha-se non stop e tira-se poucas férias. Há uma expressão que ouvi de um europeu assim que cheguei a Nova Iorque – “While we work to live, americans live to work”. E é a mais pura verdade. Aliás, a PwC nos Estados Unidos começou a fechar durante 2 semanas no ano (nas semanas do 4 de Julho e do Natal) para obrigar as pessoas a tirarem férias e pararem. Uma pequena insanidade.

No entanto, há que dizer que a parte latina de Miami ajuda a moderar esta realidade. Embora o ritmo seja igualmente alucinante, começa-se a trabalhar às 9h e não às 8h como no resto das grandes cidades americanas, e depois aproveita-se bem o fim de semana na praia.

De qualquer forma, quando fiz 10 anos na PwC (em 2018) escrevi um pequeno artigo no Linkedin sobre isto. Nesta altura já tinha trabalhado em Dublin, Londres e Miami. E de facto, mesmo tendo em conta as grandes diferenças culturais das diferentes cidades, o que escrevi foi que, embora até pudesse ter tido sorte com as equipas em que trabalhei, na minha opinião as pessoas na PwC eram genuinamente boas pessoas! Sempre me senti incluída, acarinhada, desafiada tecnicamente e reconhecida, mesmo sendo sempre uma estrangeira. Por estas razões, penso que a cultura da empresa, que prima pela inclusão, excelência e pelo “taking care of our people and our clients, se consegue sobrepor às diferenças destes países.

Notou grandes diferenças na situação das mulheres no mercado de trabalho, particularmente na liderança feminina nas empresas?

Não notei grandes diferenças nestes três mercados. Todos admitiam que tinham uma percentagem bastante inferior à desejada na liderança feminina e como tal trabalhavam, e trabalham, ativamente para tentar mudar esse paradigma. Na PwC em particular, há uma preocupação muito grande nesta área, pelo que fiz parte de muito grupos de “Lean in”, tive várias formações para high potential women leaders e até há pouco tempo liderava o Women Inclusive Network da PwC da Florida, em Miami. Também acompanhei mudanças na forma como se faziam as avaliações, e mais importante, no processo de admissão de sócios (onde o número cai mais drasticamente).

No entanto, tenho a constatar que embora estes esforços já existam há uns bons 10 anos, verificou-se uma mudança (a meu ver) muito pequena em termos de mulheres CEOs, ou mesmo na C-Suites ou até na partnership das PwCs. Pelo que fiquei agradavelmente surpreendida  quando cheguei à PwC Portugal e notei que cerca de metade dos sócios são mulheres – mais, atualmente temos uma Head of Tax, uma Head of Audit e uma Head of Legal Services. Certo que o Territory Leader continua a ser um homem, mas tenho a certeza que lá chegaremos!

As mulheres pensam que o seu trabalho “fala por si”, que não precisam de o “publicitar”, nem de verbalizar as suas ambições.

No seu entender quais as principais razões que contribuem para que as mulheres ainda estejam tão longe de atingir a igualdade na liderança das empresas e como se pode acelerar este processo?

Penso que há três fatores muito fortes (tentando não generalizar, mas generalizando de qualquer forma):

1) As mulheres pensam que o seu trabalho “fala por si”, que não precisam de o “publicitar”, nem de verbalizar as suas ambições. Isto é: eu quero ser promovida, eu quero ficar com este cliente, eu quero fazer um secondment, etc. Eu própria sou um pouco assim. A este propósito, lembro-me sempre de uma pequena história simples que uma das formadoras de um curso de liderança feminina que frequentei contou para exemplificar a importância de nos exprimirmos:

“Tens dois filhos. Um está sempre a dizer que quer ir à Eurodisney. Todos os dias repete o mesmo pedido, é incansável. O outro filho não diz nada mas tu sabes que, obviamente, ele quereria ir à Eurodisney, pois adora todos os desenhos, tem todos os brinquedos alinhadinhos, etc. Tens a oportunidade de ter um bilhete apenas para a Eurodisney. Quem é que vais levar?”

2) Certos critérios aplicados na avaliação e promoção para posições de liderança estão ligados a características que são geralmente mais associadas aos homens, como por exemplo “ter impacto”, “ser um bom comercial”, “falar com confiança”.

3) As pessoas tendem a promover à sua imagem. Assim, se temos muitos homem em posição de liderança com certas características é muito provável que procurem homens com as mesmas características, and so on…

As medidas que penso que podem acelerar este processo são também três:

1)  As empresas devem rever ativamente, sempre que adequado, formas de avaliações e processos de admissão de sócios/para o board que possam, mesmo inconscientemente, estar a dar preferência a características que estão mais presentes nos homens.

2) As empresas também devem continuar a investir e apoiar iniciativas que “puxem” pelas mulheres e pela igualdade como a iniciativa “Heforshe” das Nações Unidas, que a PwC apoia.

3) Deve-se continuar a investir em grupos e eventos de networking, como a Executiva organiza, pois estas situações aprofundam as relações, promovem partilha de experiências entre mulheres e dão exemplos às mais jovens que estão no início da carreira.

Não sou a favor de quotas, mas se continuarmos sem ver progressos significativos nesta área, pode ser que sejam mesmo necessárias, embora que apenas temporariamente, para assegurar um certo grau de mudança. Depois, podemos esperar que as mulheres que estejam na liderança puxem outras para cima, já que “tendemos a promover à nossa imagem”.

Passei a minha vida profissional praticamente toda fora e agora, às vezes, sinto-me mais estrangeira no meu país.

O que a trouxe de volta a Portugal e como tem sido a sua adaptação depois de 12 anos fora? O que mais a surpreendeu pela positiva e pela negativa na forma de estar e de trabalhar dos portugueses?

O que me trouxe de volta foi o meu filho de 5 anos e querer que ele cresça junto da sua família. Viver fora tem muitas coisas boas, mas a vida de emigrante é dura, e fica ainda mais difícil quando em cada partida o nosso filho fica a chorar pelos avós, primos, tios.

Porém, regressar foi uma decisão muito mais difícil de tomar a nível profissional, do que a decisão de sair. Mas desde a nossa chegada, há 10 meses, que o meu filho floresceu, está outra criança. Feliz por estar com a família todas as semanas. Coisas simples como uma dormida em casa dos avós, uma tarde na praia com os primos ou um passeio no parque com os tios são tão importantes para ele porque eram ocasiões muito raras. Ainda mais raras na altura que vivíamos em Miami.

Do ponto de vista profissional foi uma nova adaptação. Passei a minha vida profissional praticamente toda fora e agora, às vezes, sinto-me mais estrangeira no meu país. Mas so far so good! Sinto-me uma privilegiada por ter conseguido regressar a Portugal a trabalhar na minha área e na minha empresa. Tendo em conta que a PwC é uma rede de firmas e não uma empresa multinacional, o processo de admissão numa nova PwC é quase como entrar numa nova empresa. Só o tempo dirá se tomei a melhor decisão do ponto de vista profissional visto que o mercado português é bem mais pequeno que qualquer daqueles em que trabalhei anteriormente e como tal tem menos oportunidades.

Da sua experiência, o que acha que os portugueses têm de melhor enquanto profissionais e o que poderiam melhorar?

Penso que os portugueses são mais humanos do que os outros povos com quem trabalhei. Na PwC Portugal, foi por exemplo a primeira vez que recebi um cabaz de Natal, ou que tive uma festa para o Dia da Criança para o meu filho, e as festas do Dia do Pai e do Dia da Mãe. São gestos que podem parecer mundanos mas para mim são verdadeiramente grandes, porque não se trata apenas de dar “uma prenda” ou dar dinheiro (nos Estados Unidos gostam muito de fazer isto, o que também não é mau, claro!) mas é um reconhecimento da ocasião e do aspecto humano associado a essa ocasião.

No entanto, como tudo, este facto de sentirmos mais também tem o seu lado menos bom. E por vezes vejo que deixamos que as emoções e opiniões influenciem o nosso trabalho, ao ponto de deixarmos de ser objetivos. Acho que aqui podíamos tentar ser mais racionais em certas circunstâncias, deixar para trás o “diz que disse” e “o que vão dizer” para olhar objetivamente para as situações e agirmos adequadamente.

Mas em suma, acho que os portugueses são ótimos profissionais, temos uma excelente formação académica, somos curiosos, perspicazes e desenrascados (esta característica distinguia-me imenso dos meus colegas irlandeses e ingleses!). Só precisamos do incentivo correto e conseguimos chegar à lua!

Se tens uma oportunidade, agarra-a. Se não tens, e tens oportunidade de a criar, então cria-a. Faz por isso, não fiques à espera que te venham “convidar”.

O que trouxe de diferente na forma de trabalhar para Portugal?

Penso que para além do sólido conhecimento técnico internacional e de uma grande capacidade de adaptação a diferentes estilos de trabalho, trouxe essa objetividade. A capacidade de olhar para as equipas, projetos e clientes de forma objetiva. Tentar perceber o que precisamos de continuar a fazer, o que precisamos de fazer mais e o que precisamos de mudar e depois disso desenvolver estratégias para fazer a mudança necessária. No entanto, como disse Peter Drucker “culture eats strategy for breakfast”, pelo que tenho ainda um percurso a fazer em me readaptar e reinserir na minha cultura.

Que conselho deixaria a uma jovem executiva que ambicione uma carreira internacional?

Receio que sejam clichês, mas aqui vai! Se tens uma oportunidade, agarra-a. Se não tens, e tens oportunidade de a criar, então cria-a. Faz por isso, não fiques à espera que te venham “convidar”. Não penses no que pode correr mal e em quão duro vai ser, porque mesmo que corra muito mal, vai ser sempre uma “experiência” que te fará mais forte e resiliente, e no entretanto, conheceste outra cultura, outro povo e outras formas de pensar. Isto só pode fazer bem!