Andrea Miguel Freitas: Trocar as voltas ao stresse

Andrea Miguel Freitas, consultora na área do desenvolvimento pessoal e da qualidade de vida para high achievers, deixa uma receita mais eficaz para gerir o stresse do que um fim de semana no campo ou umas férias nas Caraíbas.

Andrea Miguel Freitas é cofundadora do Project Lifestyling.

Andrea Miguel Freitas é formada em Sociologia pelo ISCTE, iniciou o seu percurso no CIES-ISCTE, na área da investigação. Em 2008 tornou-se lifestyle consultant integrando a experiência enquanto socióloga à área do desenvolvimento pessoal. Em 2018 decidiu expandir horizontes, viajou para Londres onde se tornou cofundadora do Project Lifestyling, uma empresa de consultoria na área do desenvolvimento pessoal e da qualidade de vida para high achievers.

 

“Vivemos tempos diferentes. Tempos que comportam mudanças e que para muitos são sinónimo de instabilidade e stress. Ou talvez de oportunidade. Para mergulhar fundo e de lupa afiada desnudar e transmutar os enfeites de uma vida corrida, talvez, assente em vazios.

O atrevimento de encarar o stresse olhos nos olhos e de passar a conduzi-lo em vez de permitir que este o arraste pela vida, é o desafio que lhe trago hoje. Escrevo para si, Mulher Positivamente Insatisfeita, que perante um cenário de emaranhados e incógnitas, procura realizar mais, deixar uma marca positiva no mundo.

Férias nas Caraíbas ou um fim-de-semana no campo ecoam de forma deliciosa mas serão a solução para o stresss?

Stresse

Na nossa perspetiva, o stress consiste numa energia de adaptação à mudança que consideramos importante para transmutar e realizar. O alerta surge quando os desafios da vida são maiores do que os recursos do indivíduo, gerando desgaste.  Perante esse cenário é importante atuar. Se pensarmos na curva ascendente de stress, podemos verificar que perante as pressões, a tendência é ir respondendo com mais produtividade à medida que estas aumentam, até que um dia atingimos o pico da curva, e a partir daí a nossa produtividade começa a decrescer exponencialmente. Por exemplo, um médico que faça horas extra no contexto de pandemia. Se ficar um dia sem dormir provavelmente conseguirá responder às solicitações profissionais de forma adequada, mas se ficar uma semana com défice de sono, o seu desempenho e qualidade de vida diminuirão consideravelmente.

As Caraíbas ou um fim-de-semana no campo, sim, são uma lufada de energia! Porém, apenas por uns dias…e o ciclo vicioso repete-se! Como quebrá-lo?

Recursos e desafios

A grande magia do processo consiste em aumentar o nível de recursos do indivíduo para que este possa estar apto a lidar de forma confortável com os desafios que vão surgindo. Descodificando:

Todos os seres humanos têm um determinado nível de recursos. E quando falo em recursos estou a referir-me em termos biológicos (físico, níveis de energia, estrutura emocional e estrutura mental). E do mesmo modo, está sujeito a diferentes níveis de pressão. Quando sentimos que não estamos com capacidade biológica, seja por cansaço físico, emocional ou mental, para responder às solicitações, então podemos dizer que estamos na curva descendente de stress.

Perante este cenário existem duas possibilidades: reduzir o nível de pressão, escolhendo uma vida mais tranquila, por exemplo, uma mudança permanente para o campo, ou, aquela que pessoalmente recomendo, que consiste em olhar o stress olhos nos olhos, aumentando os recursos para poder lidar de forma eficaz com os desafios do dia-a-dia.

Respiração, técnicas de descontração, meditação e mindfulness são ferramentas altamente eficazes para gerar esta alquimia. Num outro momento poderemos conhecer melhor cada uma delas. Hoje vamos conversar sobre uma ferramenta que é estrutural pelo impacto que gera em todos os nossos recursos biológicos: Escolhas mais conscientes e conectadas com o que queremos sentir na vida.

Escolhas mais conscientes

Neste momento, provavelmente estará a pensar: como assim escolhas mais conscientes? As minhas escolhas são conscientes! Será?

Quando iniciei os meus estudos em Sociologia fiquei surpreendida ao travar contato com as teorias sociológicas que defendem que o Ser Humano tende a pensar e a agir de acordo com as representações e as práticas dos grupos que frequenta. Precisei de algum tempo para assimilar, pois pensava: como assim? As minhas escolhas são minhas! E são livres! Pois é! Não tanto assim…

De facto, também as neurociências abordam esta questão, referindo que 96 a 98% dos nossos comportamentos são automáticos e provêm dos registos acumulados desde a infância. Então, apenas 2 a 4% das nossas ações são conscientes.

E eis que surge a questão: será que estou a desenhar a minha vida de acordo com aquilo que pretendo verdadeiramente para mim? Ou será que estou a agir de acordo com o que a família e a sociedade esperam, de forma automatizada e longe da minha realização pessoal?

Mãos à obra!

Se detetou que algumas das suas escolhas, por mais pequenas que sejam, talvez não sejam bem as “suas”, trago-lhe uma boa notícia: podemos atuar sobre isso! E é esta a proposta que lhe trago hoje: agarrar verdadeiramente as rédeas da sua vida, dançando com o fluxo das mudanças, alinhando as suas escolhas com o que lhe traz realização e com a marca que quer imprimir no mundo. Este processo impacta profundamente o sistema biológico e gera de forma automática um aumento dos seus recursos.

O desafio passa por tornar as suas ações mais coerentes com aquilo que quer sentir e imprimir na sua vida. Aparentemente básica, esta reflexão está longe disso. Estamos muito mais familiarizados com escolhas para fugir da dor, do que escolhas pelo prazer. Por exemplo, alguém não está feliz no seu emprego mas não o deixa porque tem medo de não conseguir pagar as obrigações, porque tem receio de não encontrar outro emprego com condições interessantes, etc. A decisão é pautada pela fuga da dor. A irreverência aqui consiste em transformar a escolha, numa escolha pelo prazer.

Desafio-a para o seguinte exercício:

Procure imaginar-se lá no final da sua vida e olhe para trás para fazer um balanço da mesma. Procure perceber quais as suas realizações, conquistas. Permaneça alguns instantes e volte.

O cenário visualizado está de acordo com o que gostaria de ver desenhado, cumprido, partilhado com o mundo? Com a pegada que gostaria de deixar? Se as suas escolhas a levaram em direção ao que realmente quer sentir na vida e lhe permitiram deixar a marca que pretende no mundo, então está no caminho certo. Caso contrário, desafio-a a alinhar as suas ações com aquilo que efetivamente pretende para si. Para isso proponho um outro exercício:

Escreva as situações, momentos que a fizeram sentir exatamente aquilo que é mais importante para si sentir na vida. Por exemplo: ouvir música, trabalhar num projeto que gosta, viajar, estar com amigos, dançar, correr, etc. E procure gerar um compromisso consigo mesma: fazer breves pausas na sua rotina diária e introduzir ações simples, fáceis de executar, que a façam sentir aquilo que faz vibrar a sua essência.

Assim, estará a viver hoje, já, a vida que é realmente a Sua!”

 

 

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