Ana Paula Rafael: “Quem tem um negócio não pode ter cola nos pés”

Formou-se em Direito, tinha uma carreira como advogada que conciliava com a gestão de sete lojas, quando foi convidada para assumir a direção da Dielmar, empresa têxtil de que o pai fora um dos fundadores. O apelo da família e o sonho de a transformar numa multinacional levou Ana Paula Rafael a aceitar o desafio e a inovar num negócio tradicional.

Ana Paula Rafael é CEO da Dielmar.

O mundo parece ter parado, em Alcains. Não há sinais de trânsito, nem  são precisos! Os cafés e restaurantes estão praticamente vazios. Apenas um transeunte, de passos lentos. Às portas da Dielmar — bem próxima da fábrica da Lusitânia, onde se produzem as farinhas Branca de Neve —, não se adivinha a vida que se descobre no extenso chão desta fábrica têxtil: centenas de máquinas de costura, mesas de corte, prateleiras com tecidos e charriots com fatos acabados. A Serra da Estrela, muito próxima, tinha desde 1186 o foral de laboração têxtil na Covilhã, dado por D. Sancho I, desenvolvendo desde então abundante matéria-prima, feita de lã das ovelhas que por ali eram pastoreadas. Por isso, o setor da confeção era tradicional na região e inseria-se na fileira têxtil da Covilhã. 

Fundada em 1965, a empresa é a maior empregadora da região de Castelo Branco: nela trabalham 400 pessoas, sobretudo mulheres. É liderada, desde 2008, por Ana Paula Rafael, filha de um dos quatro fundadores, dois irmãos e dois amigos, todos alfaiates: Dias, Hélder, Mateus e Ramiro — nomes de cujo acrónimo nasceu a designação da empresa —, que pegaram na afamada alfaiataria José Marques Rafael e Filhos, do avô paterno de Ana Paula Rafael. Foi ela quem fez a transição da área industrial para a distribuição e para os serviços, com a abertura de lojas e a criação da marca Dielmar. Aos 16 anos, já pedia ao pai que criasse uma marca, tal como a dos refrigerantes Cristalina, cujos anúncios via diariamente na televisão, após o Telejornal da noite. O seu sonho, desde essa altura, é fazer da empresa uma multinacional. Essa visão ainda não está concretizada porque a crise dificultou o percurso. Mas a verdade é que as dificuldades económicas do país também levaram a Dielmar a procurar novos mercados para os seus produtos. No final dos anos 70, começou a internacionalizar-se, graças ao mercado da emigração, sobretudo francês. Hoje, exporta 63% da produção. Em Portugal, vende para outras marcas e tem seis lojas próprias, todas com alfaiate residente. 

Se o pai foi pioneiro com a aposta no pronto a vestir, um conceito relativamente desconhecido na época, Ana Paula Rafael faz o caminho inverso. É com a marca dos fatos à medida e com o savoir-faire da alfaiataria que espera continuar a conquistar o mundo, a partir da pacata Alcains, onde recebe compradores  americanos, colombianos, africanos, europeus, etc., e onde o seu dinamismo e capacidade de trabalho são bem conhecidos. É que, antes de assumir os comandos da Dielmar, já lançara sete lojas em Castelo Branco.

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