Liderar hoje:  saber, conhecer, sentir e fazer! 

Os desafios que os líderes enfrentam hoje analisados por Ana Margarida Ximenes, presidente da ATREVIA em Portugal.

Ana Margarida Ximenes, presidente da ATREVIA em Portugal.

Ao longo da história conhecemos diferentes líderes que nos marcaram: Mohandas Gandhi, Nelson Mandela e Barak Obama são algumas das referências emblemáticas. Talvez por isso, nos últimos 50 anos, surgiram diversas investigações para tentar perceber quais as características do líder ideal. 

Atualmente vivemos uma situação sem precedentes na história da humanidade, um momento tão adverso e de tanta incerteza, que em nada se parece com as crises financeiras já vividas por muitos de nós anteriormente. Estamos perante uma pandemia que exige novas lideranças, novas fórmulas para manter a ligação com a equipa, e que vai muito além de “conseguir trabalhar à distância”. Esta crise exige uma nova mudança social e cultural que devemos enfrentar, com as PESSOAS no centro. E o valor fundamental das organizações é precisamente a união de toda a equipa para juntos enfrentarem a situação e converterem os problemas em oportunidades. 

Todas as crises criaram mudanças e esta também trouxe algo de novo. Estamos perante novas formas de trabalhar, liderar, relacionamento e comunicar. Como conseguir estar mais próximo do que nunca na ligação com a equipa, mantendo a confiança na gestão do presente e futuro? Como fazer com que a atividade económica continue? Com liderança, agilidade, flexibilidade, empatia, escuta, reconhecimento e aplaudindo sempre o trabalho de equipa. Estes são os ingredientes chave para manter a ligação, confiança, atividade e reputação, um verdadeiro “must” para quem é chamado a gerir remotamente e com entusiasmo. 

Nesta velocidade trepidante, os colaboradores aceitam e compreendem que uma apresentação não esteja perfeita, mas não perdoam a falta de transparência e coerência de um líder.

Neste mundo, cada vez mais global, os verdadeiros líderes devem acompanhar de perto as equipas, mantendo a ligação e transmitindo confiança numa visão de um futuro, que ainda não sabemos como será. E apesar de toda esta incerteza, a transparência e honestidade continuam a ser cruciais na vida de qualquer organização. Nesta velocidade trepidante, os colaboradores aceitam e compreendem que uma apresentação não esteja perfeita, mas não perdoam a falta de transparência e coerência de um líder. 

As chamadas soft skills são cada vez mais as competências chave num líder, que deve aproveitar as tecnologias para manter a proximidade. No acompanhamento dos colaboradores nesta “nova normalidade” existem dois eixos fundamentais: um mais racional que permite a manutenção de um fluxo contínuo de informação, resolução de dúvidas e apoio nas decisões, e outro mais emocional que gera uma atitude de aceitação do processo, acompanhamento, ligação e empatia para promover a resiliência. 

As experiências que todos estamos a viver atualmente vão seguramente marcar para sempre a nossa perceção. A “employee experience” está a mudar completamente nas organizações. Deixou de ser algo muito linear, para se tornar mais holística. Antes o colaborador procurava o desenvolvimento profissional e um reconhecimento salarial. Hoje o foco está na forma como a organização se comporta em fases tão determinantes como esta. O que fazemos hoje vai seguramente ditar o nosso amanhã. As empresas que se vão manter relevantes são claramente as que têm um foco nas pessoas e que contam com lideranças fortes, autênticas e verdadeiras. Os colaboradores precisam de liderança, visão, confiança, compreensão e proximidade na gestão do presente, mas sem nunca perderem de vista o futuro e a recuperação: saber, conhecer, sentir e fazer! 

Estamos perante um clima adverso, em que é imperativo o alinhamento entre a comunicação interna e externa e a necessidade de planos de ação imediatos.

Perante a incerteza, a comunicação interna deve gerar a confiança e recuperação da atividade, e transmitir mensagens de visão e futuro e novas perspetivas de engagement do colaborador. 

No início da pandemia, o sentimento nas organizações foi de “estranheza”, e a comunicação interna esteve ao serviço da prevenção e adaptação de protocolos. Depois, vivemos uma fase de “desorientação”, e a comunicação interna esteve ao serviço da “adaptação operativa” para transmitir mensagens muito racionais. De seguida, passámos para uma “fase de adaptação”, onde a comunicação interna procurou manter a ligação, transparência e a veracidade. E posteriormente, entrámos numa “fase de depressão” em que a comunicação interna passou a transmitir mensagens que emocionam, acompanhando e “cuidando” das pessoas ao nível mais psicológico e de reconhecimento. 

Estamos perante um clima adverso, em que é imperativo o alinhamento entre a comunicação interna e externa e a necessidade de planos de ação imediatos. Em nenhuma outra crise, a comunicação tinha assumido um papel tão importante e tão protagonista. Mas nesta gestão da velocidade desta “nova normalidade” é clara a importância das pessoas. São elas que conseguem que as coisas aconteçam nas organizações. E o desafio da confiança passa por isso mesmo, pelas PESSOAS. 

5 Conselhos chave para um líder: 

1. Seja transparente, claro, verdadeiro e otimista. 

2. Procure ser ágil, eficaz e próximo. 

3. Tenha os canais de feedback constantemente abertos. 

4. Mantenha-se alinhado com a equipa e negócio. 

5. Seja um líder visível, comunicando e ouvindo a equipa de forma permanente 

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